Na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. depois, a minha irmã mais velha casou-se. depois, a minha irmã mais nova casou-se. depois o meu pai morreu. hoje, na hora de põr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está na casa dela, menos a minha irmã mais nova que está na casa dela, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva, cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho. mas irão estar sempre aqui. na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. enquanto um de nós for vivo, seremos sempre cinco.
Começou hoje uma nova etapa no percurso que me cabe a mim viver... As circunstacias que acabam porser consequência do que fazemos antes, durante e depois delas, trouxeram-me para um inicio que me encanta, motiva e apaixona...
Não lhe vejo o fim e espero que quando chegar, que o seja porque há simplemente, uma mudança de estrada...
Como sabem, estive em terras transalpinas, onde o cheiro a pizza em cada esquina se mistura com a surpresa de um monumento a descobrir... É de facto lindo e puro o ar que se respira enquanto se viaja de cidade em cidade, na procura de novas imagens e logo depois novos sentires que nos preenchem de forma plena. Desta vez a escolha recaiu sobre a Liguria e a Toscana. A Toscana é de um equilibrio arrepiante, da simplicidade dos campos à imponência de Pisa, Siena ou Florença. Como alguém disse uma vez, "Quando a Natureza criou o mundo, reuniu grande fatia do melhor em Itália". Mais destinos se seguirão, hoje deixo-vos em Siena...
Bem tento escrever como mandam as leis neste teclado, mas é impossivel, nao hà til nem tao pouco acentos agudos ou graves, enfim, o que esta virado para a direita de quem le... e o chapeu? Nada, nem chapeu, nem til, nem acento... Fica o registo de Itàlia.
Hoje escrevo porque me apetece gritar... porque acumulo sem parar o que me entope e quero falar... Porque faz parte da forma como sinto as coisas, vivo e elouqueço saudavelmente...
Às vezes e não poucas, somos obrigados a deixar umas coisas para podermos fazer outras. É o trabalho que acumula e nos prende às leituras, aos escritos técnicos; é o tempo que não para e que com ele trás os prazos, as datas que se têm de comprir... Às vezes e não poucas, somos sugados pela vida, temos de lhe dar alento, corremos, sorrimos, rimos, gargalhamos, beijamos, tocamos, cheiramos, sentimos... Às vezes e não poucos, deixamos o nosso cantinho e abrimos a janela do mundo lá fora...
Estava frio e ameaçava chover nos instantes seguintes. Eu estava numa das interminaveis filas de fim de dia e acabara de iniciar-se as noticias radiofónicas de umas das estações que habitualmente oiço na ausência de um cd. Na rádio, dizia-se que nos ultimos anos os cientistas descobriram mais de 160 planetas fora do nosso sistemas solar, mas que nenhum deles se assemelha à nossa (será?) Terra. Neste preciso momento, enquanto a rádio através do seu locotor dizia tamanho número fixo o olhar no que me rodeava, nos carros, nas luzes, nas estradas, nas pessoas... e pensei: que particularidade teremos nós para em mais nenhum lugar se ter desenvolvido tão complexa rede de ligações sociais, tão forte ligação com aquilo a que convencionámos chamar história, a hiatória que diariamente escrevemos, feita de guerras, de fome e de fartura, de extrema riqueza ou do outro lado extrema de pobreza. Num daqueles momentos em que nos sentimos verdadeiramente a duvidar. Começou a chover... Foi bom...
Os dias são longos, porque se perpetuam pela noite dentro... As manhãs começam cedo... O corpo não se recente, apenas reclama que devia estar onde os sonhos ganham forma... Eu escrevo, leio, estudo a ciência que me orienta, à espera que os olhos se fechem e dêem lugar ao que há-de vir...
Para todos os que choram, os que exclamam, os que questionam, os que suspiram, os que sentem frio... para todos os que desacreditam... Para todos os que sorriem, os que proclamam, os que afirmam, os que igualmente suspiram, os que sentem calor... para todos os que não duvidam... No espaço entre dois momentos, existe dia, noite, tarde, calor, frio, vento, chuva... existe espaço para tudo mudar, para tudo se reinventar... Oiçam, ela fala verdade...
Falando de musica... Aqui deixo Rachmaninov... Concerto n.º 3, 1.º Andamento! Alguns conhecem de um celebre filme, outros porque é de longe das mais dificeis e espantosas obras de piano compostas...