segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Alegre, mas pouco!

Confesso que a prontidão da resposta de Louça à disponibilidade de Alegre me deixou, na altura, ou tanto ou quanto atordoado... pela rapidez, pela prontidão e pela estranheza da sensação de estar perante um "yes man".
Tudo isto seria apenas retórica ou figurativo se não nos lembrássemos da últimas presidenciais, onde Louça foi o candidato do Bloco sem que, na altura, estivesse tão preocupado com a "convergência da esquerda" para derrotar a direita. Compreende-se que o momento político e a situação do país são distintos dos que se enfrentavam na altura, mas não deixa de ser estranho que sem a Mesa Nacional discutir o assunto, o líder do Bloco tome esta posição de forma tão irreflectida e, arrisco, imponderada face às consequência internas que terá dentro do partido.
Estranha-se ainda mais o facto de em 2006 as condições, pelo perfil e pelo tipo de candidatura de Alegre, serem mais favoráveis para que reunisse o apoio da Esquerda que não se identificava com o PS de Sócrates. Agora as circunstâncias são outras: Alegre espera e deseja ter o apoio do seu partido, tendo para isso aceite silenciar-se, afastando-se do parlamento e preparando o terreno para uma "disponibilidade" à muito anunciada.
Importa não esquecer que o Bloco já não é simplesmente um partido de protesto, tem responsabilidades acrescidas face aos últimos resultados eleitorais (europeias e legislativas) e tem, desde então, mais olhares sobre as suas propostas e sobre o rumo que toma. É por isso fundamental que não se ignore o enorme capital de confiança que o eleitorado deu, quando claramente votou BE separando-se da "pseudoesquerda" socialista de Sócrates e seus comparsas.
Ora, unido-se tão prematuramente a uma candidatura que ainda pode muito bem vir a ser socialista, Louçã corre o risco de esvaziar, num curto espaço tempo, o capital de apoio e confiança que levou 10 anos a ser conquistado. Pior, arrisca-se a que a já frágil unidade interna do partido seja ameaçada, imagine-se, pela ausência de diálogo.
Vejamos o rumo que esta novela toma...

Impostos? Subam onde podem...

Numa altura em que a sensação de desgoverno e, porque não, receio de uma desgraça anunciada que começa a estar cada vez mais eminente nos parecem tão reais como inevitáveis, os nossos governantes "fazem de conta" que governam.
Todos sabemos que Portugal, acima de tudo, é um grande "compadrio", sendo, uma espécie de grande potência nessa matéria...
Bem sei que há questões nos bastidores que nos ultrapassam, coisas "obscuras" como o tempo cinzento que nos tem coberto as cabeças desde Dezembro último. Mas tal como o tempo chuvoso do último mês e meio já começa a incomodar pela permanente e insistente teimosia em nos fazer viver numa espécie de Londres subdesenvolvida, há coisas que, por muito "obscuras" que sejam", são difíceis de compreender.
Tirando o PCP, partido cujas ideias nem sempre têm o meu acordo, a verdade é que nenhum partido faz a razoável proposta de taxar de forma justa os lucros ofensivos que os Bancos apresentam. Enquanto se discute os efeitos que a redução do Pagamento Especial por Conta (PEC) pode ter na vida das Pequenas e Médias e Empresas (PME) e, consequentemente, na economia social, o PS e a direita fazem ouvidos "mocos" à proposta que, de acordo com Eugénio Rosa, traria ao estado uma receita de mais 1,3 mil milhões de euros. Note-se que é neste ponto que tanto PS e CDS estão disposto a "ceder um pedacinho" para viabilizar o Orçamento de Estado (basta recordar as palavras enamoradas que Paulo Porte e Sócrates trocaram no último debate Parlamentar quando se referiam às negociações do OE).
É importante salientar que para obter mais 1,3 mil milhões de euros de receita o estado só teria de ter a coragem de fazer com que os Bancos paguem a taxa que todas as outras empresas pagam de IRC (25% em vez dos actuais 15%).
Vá-se lá entender... Tal como as nuvens não nos têm deixado ver o sol no último mês e meio, há 30 anos que no parlamento também há quem não veja para além da sua bancada.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Quanto a ler mal os sinais das últimas legislativas...

No público: "(..) Teixeira dos Santos, fez um balanço "claramente positivo" da discussão e elogiou o "empenhamento claro" do CDS".

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

É o direito estúpido, é o direito...

Há coisas na vida que se arrastam por tempos indetermináveis. Todos, sem excepção conseguimos realizar um exercício de memória e recuperar no baú duas ou três coisas que temos de fazer, mas que não nos tem apetecido... Resultado, a coisa arrasta-se por muito tempo até que tem mesmo de ser!
Acontece coisa parecida com o caso "Casa Pia".
Não me irei alongar sobre coisas que não domino, nomeadamente, efectuar o triste número dos "ses" e "na minha opinião", mas como cidadão e, acima de tudo, profissional que trabalha directa e indirectamente com crianças e jovens (em e sem risco) há um conjunto de aspectos que me afligem, inquietam e preocupam no que concerne à forma como um caso tão "pantanoso" se arrasta durante tanto tempo, sem que haja um fim aparente à vista. As considerações não têm, obviamente, qualquer relação directa com a noticia que motiva este texto.
1. Se a justiça não cria mecanismos de se tornar mais célere, independentemente do caso em questão, na promoção da defesa do SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA e no cumprimento do direito de menores, corremos o risco dos menores o deixarem de ser (em 7 anos, uma criança de 12 desenvolve-se num adolescente de 19), passando tais acontecimentos a pesar definitivamente e irremediavelmente sobre os "ombros" dos jovens. Isto é inaceitável para o bom desenvolvimento psíquico e afectivo de qualquer pessoa, quanto mais nas idades em que a identidade se começa a formar e consolidar.
2. O SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA nem sempre é salvaguardado, estando dependente, caso a caso, dos respectivos procuradores, advogados e juízes. Ou seja, não há efectivamente o respeito pelo SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA, o que existe são procuradores mais ou menos hábeis, advogados mais ou menos competentes e juízes mais ou menos conservadores na defesa... da moral e dos bons costumes (pergunto-me se o superior interesse da criança será salvaguardado pela defesa da moral e dos bons costumas, seja lá o que isso for).
3. Não posso aceitar que exista perversidade de quem decide em não respeitar o superior interesse das crianças, tomando assim decisões deliberadamente prejudiciais aos menores. Contudo, é inegável uma lacuna tremenda na formação dos magistrados quanto às idiossincrasias que cada criança, ou seja, cada caso (sim, porque cada caso é, pelo menos, UMA CRIANÇA) oferecem.
4. É absolutamente imprescindível que se analise o que de facto oferece ao caso (criança) o seu superior interesse, reconhecendo que muitas vezes isso contraria a moral e o bom costume da nossa tradicional e paternalista sociedade (conservadora quanto aos valores da "família"e do "casamento", mesmo que seja uma família mal tratante, mesmo que seja um casamento inócuo e vazio). Nem sempre a família é o melhor, ou sabe o que é o melhor para a criança, nem sempre os casamentos são sinónimo de estabilidade e segurança.
5. Reconhecer que o superior interesse da criança é aquele que lhe proporciona um contexto equilibrado, que suporta a sua exploração do mundo e lhe dá significado, um contexto que a ajude a "ler o mundo à sua volta", um contexto que estrutura, que acarinha e que repreende, um contexto que promove o seu desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional.

Tudo isto num país em que o "compadrio" fala mais alto do que qualquer discussão séria que se pretenda ter...

É o direito estúpido, é o direito...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Uma questão de direito

Como no crescimento humano, há datas que nos importam assinalar, pela marca significativa e simbólica que representam. Comemoramos o nascimento (uma nova vida que se inicia), aos 6 voltamos a comemorar (estamos na escola, a começar a aprender formalmente), aos 10 (parece que já somos crescidos, acabamos o 1º ciclo), aos 15 (somos donos do mundo, senhores de ideias infalíveis, somos adolescentes...), aos 20 (idade adulta finalmente, um mundo por conquistar) e, a partir dai de 10 em 10 é um novo ciclo que se inicia, uma nova etapa para reprojectar e reequacionar os projectos e os sonhos de e para uma vida.
Hoje, todos comemoramos 20 anos e, efectivamente, ainda temos TODO um mundo por conquistar...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Revisitando sítios, tempos e sentires

Um comboio...
Uma viagem...
Todos os dias...
A Rua Augusta... o frio...
Os odores...
Era Inverno...
Uma lembrança... permanente...
Uma dor... a minha!
Saudade...


domingo, 15 de novembro de 2009

A força de uma gargalhada

Num daqueles dia em que a cama acorda com picos, bem cedo, fui ainda "dormente" do quarto ao sofá da sala. Quando lá cheguei, estava já a televisão ligada, exibindo um filme gravado à meses atrás. As Pontes de Madison County.
O preconceito, associado à "rabugentice", fizeram-,e desconfiar e querer voltar para o quarto... só queria dormir.
Enquanto pensava nisto, há um baú que é aberto e nele encontram-se três diários à espera de serem lidos. Tudo mudou! A cama deixou de apelar tão intensamente e acomodei-me, cavado no sofá, tolhido por um filme que o preconceito nunca me deixou ver...
Em toda a história, de amor, evidentemente, percebe-se o toque do "jovem" Clint Eastwood realizador que prende e cativa, como no principezinho. Eu pensava que era sobre guerra... reminiscências da "Ponte sobre o rio Kwai" (acho). Coisa de ignorante, de quem desconhece...

Há uns dias , semanas talvez, disseram-me que mais importante do que reter nomes, histórias completas, planos, prémios ganhos ou ideias conceptuais associadas à música, teatro, cinema, dança ou outra qualquer forma de expressão, o que realmente nos coloca num local de partilha com os outros é a "verdade" (sempre subjectiva) que as coisas (estas coisas) nos fazem sentir. São os pequenos fragmentos que permanecem e nos acompanham...
O que permanece é a força do rir, com vontade, de uma mulher a ouvir um homem enquanto viajam, embrenhados, nas palavras um do outro.
Fez-me sentir, naquele mesmo instante, como é bom ouvir, ver e sentir o riso de uma MULHER!

sábado, 14 de novembro de 2009

estados de espirito


simplicidade

A simplicidade de só se querer estar, sem "pretensiosismos", sem "pseudisses", sem seduções, sem erudições, simplesmente estar...

... a escutar!
... a observar!
... a partilhar!
... a cuidar!

... com o outro que não eu!

...

Querer ter muito para dizer, pensar que se tem muito para dizer, esforçar-se por muito dizer...
... e o raio do cursor que não pára de piscar no branco vazio, silenciado(r?) das ideias que não saem!

domingo, 8 de novembro de 2009

Por que hoje é domingo!

Um senhor... de manhã, à tarde, durante a noite...


Sejamos sérios...

São raras as vezes em que durante a leitura de um texto me "enfureço" com a ignorância do autor. Neste caso, em que José António Saraiva nos brinda na sua crónica que a homossexualidade é um "fenómeno da moda", portanto uma opção, ou, em casos raros, uma clara determinação genética, como no caso dum "menino que só gostava de brincar com bonecas, tachos e panelas".
Nem me vou dar ao trabalho de refutar cientificamente a quantidade de idiotice e babuzeiras que são referidas nesta crónica. Contudo, não posso deixar de marcar a minha indignação com o facto deste tipo de incorrecções serem publicadas num jornal com a tiragem do sol, não por um qualquer jornalista, mas pelo seu director.
Sejamos sérios (ver aqui uma resposta à altura)...
Quando não se sabe, não se sabe, a "tudologia" é coisa que não existe...

domingo, 25 de outubro de 2009

Uma discussão antiga... uma leitura interessante.

Todos sabemos e reconhecemos que a actualidade da escola abarca TODOS os alunos, os "azuis", "laranjas", "roxos" e ainda os "salmão" (que é uma espécie de cor híbrida entre o laranja e o rosa). Pois bem, esta diversidade suscita emoções e sentires diversos que, inevitavelmente, nos levam às expectativas, maiores ou menores, consoante os casos específicos. Ora, se há matéria que a Psicologia estudou, aprofundou e ainda estuda e aprofunda, é o papel da expectativas na relação professor-aluno.
É impossível querer nivelar uma relação que é desnivelada por natureza, o professor é adulto, o aluno não, o professor tem mais poder e só aqui encontramos razão mais do que suficiente para compreender a assimetria de uma relação que não pode, nem deve partir do pressuposto de que alunos e professores se encontram aos mesmo nível nos direitos e deveres. São diferentes, assim como as suas tarefas e papeis. São diferentes, mas nada impede que definam o caminho em conjunto, trabalhando cooperativamente e no mesmo sentido, mas não façamos confusão não são pares.
Contudo, o facto de a relação ser assimétrica e de um ter de decidir em função do trabalho e desempenho do outro, não invalida que esta relação não se baseie no respeito. E este é um direito universal, o direito ao respeito na semelhança ou na diferença.
Ora, uma relação assimétrica, em que as coisas não correm bem, onde um tem mais poder do que o outro, pode, facilmente, resvalar para a falta de respeito, que, como uma bola de neve pequena no cimo de um cume, rapidamente se pode tornar numa avalanche...
Num almoço há já um bom par de anos, enquanto conversava com o amigo Sérgio Niza, ele disse-me algo parecido com o que vou reproduzir:
- Quando um animal feroz está assustado e se sente em perigo o que é que faz?
- ... (silêncio da minha parte)
- Ataca! - concluiu.
Depois disto tivemos uma interessante conversa sobre a importância da reciprocidade nas relações humanas e sobre o facto de, na maioria delas, o comportamento gerar comportamento em igual ou maior intensidade do que o primeiro (principio antigo que se mistura entre a psicologia e o senso comum).
O que me leva a recordar a experiência que tive com miúdos "dificeis" e o que a teoria me dizia quando a levava na mochila para trabalhar com os ditos miúdos.
- Existem miúdos que desatinam? Sim, muitos, todos os dias nas mais diversas escolas.
- Existem miúdos que só querem ir para a escola fazer disparates porque é o único sitio onde têm 1, 2, 3, ..., 30 minutos de antena? Sim, é a única forma que têm de se mostrar aos outros.
- Existem miúdos que nos faltam ao respeito? Sim, enquanto na resposta lhes continuarmos a validar o que eles pensam que sabem sobre nós.

Concordo com Laborinho Lúcio, a disciplina é um direito dos alunos, um direito que devem usufruir na sequência do respeito que nos merecem os seus gostos diferentes e "esquisitos", as suas modas, as suas necessidades e os seus interesses. A disciplina é a consequência de uma relação pedagógica de qualidade em que, olhos nos olhos, os alunos percebem que no aqui e agora não há espaço para a indiferença, não há necessidade de "desatinar" (porque há outras formas de se mostrarem, de se darem a conhecer), o que é há, é um adulto, numa relação assimétrica que os respeita, os valoriza e acolhe e que, no mínimo, espera e exige o mesmo deles. É o que é justo e isso eles conhecem e reconhecem bem...
O problema é o que respeito não se exige, mostra-se...
E é assim que se molda, que se suporta a aprendizagem e o desenvolvimento social, que se produz mudança e se dá a conhecer a utilidade de valorizar o outro, que se criam bases para "conhecer-mos o nosso limite interior" e refrearmos o ímpeto de agir, ou, como se diz em psicologia, o "acting out"...

sábado, 24 de outubro de 2009

Coisas que me arrepiam...

Este ano, já não me recordo exactamente quando, comprei uma caixa de Puccini, com as suas principais óperas (Turandot, Madame Butterfly, Tosca, La Bohème e Manon Lescaut).
O melhor da caixa é que nos trás o melhor de Puccini, com o melhor de Pavarotti, Freni, Sutherland, Caballé, Karajan, Levine e Mehta.
Ouvir esta caixa, nomeadamente a versão da Turandot é algo que considero extraordinário, pela intensidade, pela história, pela força, pela paixão, pelo turbilhão de emoções que emanam das vozes conjugadas nesta bela "sinfonia" que muito me diz...
Fica um cheirinho para ouvir até ao fim... mas que coro...


P.S. Esta versão é com o Plácido Domingo...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Inquietação... Inquietação...

Ao ler isto, só me ocorre um sentimento antigo...

Um sentimento que José Mário Branco cantou...



...e que mais tarde JP Simões reinterpretou!



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Leitura... Um hábito imprescindível

É mais ou menos consensual que o Plano Nacional de Leitura foi uma boa medida, útil para trazer a público a necessidade mudar os hábitos leitores dos portugueses.
Aparentemente, de acordo com um estudo que será hoje apresentado na 3ª Conferencia Internacional do Plano Nacional de Leitura na Fundação Calouste Gulbenkian, José Morais avança que falta hábitos intensivos de leitura às nossas crianças. Prática que o PNL procurou promover, tornando a leitura uma actividade mais mediática e apelativa aos jovens.
Os resultados que agora vêm a público mostram e comprovam aquilo que intuitivamente já se percebia no trabalho directo com os miúdos e com os professores. Os resultados obtidos não são totalmente conhecidos e é a maioria das pessoas desconhecem as metodologias e formas de recolha dos dados do estudo agora avançado. Naturalmente que esta discussão levar-nos-ia a uma análise mais fina de algumas das considerações avançadas, nomeadamente, no que está por trás dos "cerca de 40 testes, de leitura, compreensão e escrita adequados a cada ano.". Será que os 40 testes estão num nível de significância suficiente para que as crianças lhe atribuam significado e compreendam o que lhe é pedido nas diferentes provas?
Em Julho, tive oportunidade de participar na 16th European Conference on Reading, que teve lugar em Braga. A primeira sessão plenária ficou ao cargo do professor Jacques FIJALKOW, da Université de Toulouse-le-Mirail, com o título !Is it possible to efficiently teach reading and writing to all 5- to 7-year-old children?". A riqueza da comunicação, que traduziu anos de Investigação em França, com crianças apontadas como tendo dificuldades na aprendizagem na Leitura e Escrita, aponta algumas sugestões para aumentar os resultados dos alunos na leitura.
A que mais me encantou, pela sua simplicidade, são os momentos de leitura individual em que TODOS (incluindo o professor) lêem diarimamente durante 15 minutos na sala de aula um livro, um texto, uma noticia, algo significativo. Nota importante, TODOS, são mesmo TODOS, ou seja, o professor não aproveita para preencher sumários ou corrigir fichas, oferece-se como modelo... como os alunos, descobre a leitura e envolve-se na tarefa.
Isto de mandar os outros ler porque é bom... Só, não chega!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Os benefícios da Ciência. A distância da prática.

Ao longo de todo o meu percurso, enquanto estudante e profissional da Psicologia e da Educação, houve uma frase que sempre me acompanhou desde o momento em que a ouvi: "A teoria é uma ferramenta que levamos às costas quando vamos para a prática.", by Zé Morgado que podem encontrar aqui.
É inevitável que assim seja, porque só assim conseguimos responder ao "aqui e agora" que o trabalho no terreno nos solicita permanentemente. Vivemos numa espécie de "learning by doing", mas a verdade é que o critério para a tomada de decisão tende a ser mais acertado quando o que está por trás dela é o conhecimento sustentado sobre uma determinada temática.
Feito este ponto prévio, gostaria de partilhar este artigo que li na Scientific American com o titulo: "Getting it Wrong: Surprising tips on How to Learn". O artigo apresenta vários estudos que indicam os benefícios do erro na aprendizagem e na recuperação da informação.
No fundo, o que os diversos estudos procuram evidenciar é que o erro não é algo a evitar, mas antes algo a valorizar na aprendizagem, porque facilita a compreensão e a significação dos conteúdos. Para quem acredita que a aprendizagem deve ser significativa e partir da pesquisa activa do conhecimento, há muito que defende esta perspectiva. Contudo, para quem acredita que evitar o erro é a melhor forma de fomentar a aprendizagem acredito que leitura deste texto possa ser um importante contributo para se ponderarem outras possibilidades.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Diversidade = Qualidade

Quando olhamos para os indicadores de qualidade que a massificação do ensino trouxe a Portugal, nomeadamente, na definição de políticas educativas que fomentavam a ideia de que TODOS os alunos tinham de efectuar o mesmo percurso educativo que deveria terminar no ingresso no ensino superior.
A verdade é que uma ideia cujo objectivo era proporcionar as mesmas oportunidades de acesso a uma educação melhor e mais qualificada, acabou por perverter o acesso a essa igualdade de oportunidades ao impossibilitar o respeito pela diferença e, mais grave, ao inviabilizar uma escolha livre de acordo com as motivações de cada um. Pretendeu-se ensinar a todos o mesmo, acreditando que assim se diminuía o fosso existente entre as classes sociais, garantindo uma melhor distribuição de oportunidades por todos.
Contudo, embora a intenção fosse boa, a verdade é que os resultados foram catastróficos levando a um aumento do abandono e do insucesso escolar. Não por que a escola fosse pior, mas porque para motivar e cativar (sim, como no principezinho) TODOS os alunos, a escola precisa de ter respostas diversificadas que vão ao encontro dos interesses e motivações dos alunos.
"Nem todos temos de ser doutores", disseram-me em tempos... Concordo!
O que temos é de apostar numa melhor qualificação dos nossos jovens, reconhecendo que a educação é, cada vez mais, ao longo de toda a vida e que a escolha de um caminho é poucas vezes irreversível, mas antes o inicio de um longo percurso.
Naturalmente isto levamos à discussão do que deve ser a Educação Básica, ou seja, qual o currículo essencial que todos os alunos devem aprender como base da sua formação cívica, científica, pedagógica e humana. Difícil...
Por isso, apenas me congratulo com uma boa noticia do Público: o número de alunos a frequentarem escolas profissionais aumentou em 10 mil alunos.
É verdade que este aumento é de louvar, mas continua a existir o preconceito de que quem escolha estes cursos são os alunos que têm "maus resultados" ou "pouco jeito para a escola", ou seja, existe uma conotação, altamente perversa, a este tipo de vias profissionalizantes a uma espécie de recurso ou 2ª via para os alunos que não cabem nos cursos de secundário.
O pensamento deve, a meu entender, residir no facto destes cursos possibilitarem uma escolha efectiva para quem tem um ideia clara do que pretende exercer e não, como José Morgado refere, serem encarados como um "alunão", ou seja, uma espécie de papelão para alunos com pouco espaço na via "mais escolar". Desta forma aumentamos efectivamente a qualificação dos nossos jovens, aumentando as competências profissionais da nossa comunidade.
Falta agora alargar esta oferta à generalidade das escola e acabar com o estigma social que estes cursos enfrentam, criando mecanismo de entrada no ensino superior, caso os alunos assim optem.

Um livro, uma parte da História


Assisti ontem ao lançamento do livro "A Escola Normal de Lisboa e a Formação de Professores - Arquivo, História e Memória", organizado por Joaquim Pintassilgo e Lurdes Serrazina. A sessão decorreu no anfiteatro da Escola Superior de Educação de Lisboa e contou com a presença de António Nóvoa e Fernando Serra.
Da sessão destacam-se vários apontamentos de interesse, mas destacaria aquele em que António Nóvoa problematiza e contextualiza os desafios que se colocam hoje em dia à educação. Uma ideia central da sua participação assentou no reconhecimento que o "ontem" em educação é sempre e incomparavelmente pior do que o hoje (ideia que tenho defendido) por ser, necessariamente, menos pensado, com menos recursos, com menos condições, com menos "saber ensinar". Contrariando assim os saudosistas da "exigência" e do "rigor", para que a escola de "ontem" era melhor, mais eficaz... A verdade é que a escola de "ontem" não era tão pública como é hoje e não o era porque não era para todos, logo, uma escola que não tinha TODOS os alunos não pode, evidentemente, ser comparada com a que temos hoje, onde estão, como devem, TODOS os alunos.
Introduziu aqui o desafio, ou seja, de que forma podem os professores responder à variabilidade garantido uma boa educação para todos. Aqui coloca a pedagogia no centro da problematização, questionando-se/nos de que forma poderemos voltar a introduzir o lugar da pedagogia na discussão sobre a formação de professores. Que saberes, que competências devem os futuros professores possuir para levarem a bom porto a sua tarefa? Onde acaba o conhecimento científico e começa o "saber ensinar", que relação, que equilíbrio procurar?

O Livro é um testemunho histórico do antigo Magistério Primário e assinala de forma muita clara alguns períodos marcantes da sua vida, nomeadamente a transição para a actual Escola Superior de Educação de Lisboa.
Um livro que só folheia, mas que me parece um importante depoimento para todos os que se interessam pela história da educação, pela história que começa na formação de quem vai ensinar.