Ontem, enquanto saía do meu local de trabalho, pela 20h30m, fui invadido pelo cheiro de erva seca caracteristico do tempo quente. Ao cheiro juntou-se uma brisa primaveril e eu reconfortei-me com um sorriso... Que bem que soube!
terça-feira, 24 de abril de 2007
sexta-feira, 20 de abril de 2007
"Portuguesices" e outras coisas mais
Recentemente, na livraria da Faculdade onde tive o previlégio de estudar na minha formação inicial e onde agora continuo a percorrer o caminho para me tornar, cada vez mais, "mais" e melhor profissional, encontrei um livro que logo me despertou curiosidade e vontade de ler.
Aproveitando o facto de, na altura, ir fazer uma viagem longa de comboio até à Guarda não hesitei em comprá-lo e levá-lo para uma leitura que esperava divertida. É verdade que não li tanto como desejava na viagem, debrucei-me antes sobre a actualidade do pais, que, invariavelmente, falava do já intitulado "caso sócrates". Li os signos, para ver a minha sorte no evento que se advinhava e só depois comecei a ler o tal livro que decidi comprar e levar comigo de viagem.
Belo prefácio escrito por Augusto Reis Machado, até então desconhecido, que faz uma bela e suculenta reflexão sobre o facto natural e o facto histórico. Enquadra a experiência como confirmação da suposição que passa a ser real quando experenciada e diz-nos ainda que como as experiências são variaveis, também são variaveis os seus produtos, ou seja, o conhecimento que da experiencia retiramos. Então, tudo isto confere ao conhecimento uma dimensão mutável e variavel. Deliciosa a descrição...
Mas tudo isto para nos explicar a especificidade do facto histórico e o porquê ser tão dificil dizer o que é verdade, o que é mentira e o que é fantasia quando de história falamos. O livro é, obviamente, sobre história... Mais precisamente sobre uma pedaço de história, sobre o século XVIII português e é escrito originalmente por um oficial britânico que naquele periodo esteve ao serviço de Portugal.
O que o livro tem de valioso, se formos capazes de olhar para a sociedade actual e brincarmos um pouco com os nossos "vicios" e "defeitos", é que mostra pelos olhos de um forasteiro a cultura portuguesa em traços que ainda hoje se reconhecem na forma como nos organizamos. É por vezes brutal a forma como são descritos alguns comportamentos, chega mesmo a ser insultuoso a forma como são escritos alguns traços do nosso povo, mas vale mesmo a pena...
Eu li-o e apreciei bastante o retrato social feito pelo oficial, não tanto por acreditar no que é descrito, mas por me identificar com alguma da sua história, por me fazer sentir português e, acima de tudo, fazer-me pensar e rir na nossa sociedade e nos nossso costumes... Por ser um olhar critico, um olhar visto de cá, por alguém que vem de fora...
O livro é de Arthur William Costigan e chama-se "RETRATOS DE PORTUGAL - Sociedade e costumes".
Aproveitando o facto de, na altura, ir fazer uma viagem longa de comboio até à Guarda não hesitei em comprá-lo e levá-lo para uma leitura que esperava divertida. É verdade que não li tanto como desejava na viagem, debrucei-me antes sobre a actualidade do pais, que, invariavelmente, falava do já intitulado "caso sócrates". Li os signos, para ver a minha sorte no evento que se advinhava e só depois comecei a ler o tal livro que decidi comprar e levar comigo de viagem.
Belo prefácio escrito por Augusto Reis Machado, até então desconhecido, que faz uma bela e suculenta reflexão sobre o facto natural e o facto histórico. Enquadra a experiência como confirmação da suposição que passa a ser real quando experenciada e diz-nos ainda que como as experiências são variaveis, também são variaveis os seus produtos, ou seja, o conhecimento que da experiencia retiramos. Então, tudo isto confere ao conhecimento uma dimensão mutável e variavel. Deliciosa a descrição...
Mas tudo isto para nos explicar a especificidade do facto histórico e o porquê ser tão dificil dizer o que é verdade, o que é mentira e o que é fantasia quando de história falamos. O livro é, obviamente, sobre história... Mais precisamente sobre uma pedaço de história, sobre o século XVIII português e é escrito originalmente por um oficial britânico que naquele periodo esteve ao serviço de Portugal.
O que o livro tem de valioso, se formos capazes de olhar para a sociedade actual e brincarmos um pouco com os nossos "vicios" e "defeitos", é que mostra pelos olhos de um forasteiro a cultura portuguesa em traços que ainda hoje se reconhecem na forma como nos organizamos. É por vezes brutal a forma como são descritos alguns comportamentos, chega mesmo a ser insultuoso a forma como são escritos alguns traços do nosso povo, mas vale mesmo a pena...
Eu li-o e apreciei bastante o retrato social feito pelo oficial, não tanto por acreditar no que é descrito, mas por me identificar com alguma da sua história, por me fazer sentir português e, acima de tudo, fazer-me pensar e rir na nossa sociedade e nos nossso costumes... Por ser um olhar critico, um olhar visto de cá, por alguém que vem de fora...
O livro é de Arthur William Costigan e chama-se "RETRATOS DE PORTUGAL - Sociedade e costumes".
domingo, 8 de abril de 2007
Pensar as instituições II
É relativamente unanime e consensual a ideia de que os pais estão cada vez mais necessitados de ajuda na dificil tarefa que a educação das crianças representa nos tempos que correm. Não por manifesta malvadez das crianças ou incompetência dos projenitores, mas por causa das circunstâncias que contribuem para que as crianças pareçam mais malvadas e os pais mais incompetentes.
Se 99,99% dos miudos não são efectivamente maus miudos e se, por outro lado, 99,99% dos pais não são de facto maus pais, como é que se entende este fenómeno crescente de indisciplina nas escolas e familias? Como se justifica que filhos ditem regras em casa e pais sejam subjugados às tiranias de crianças de 2 anos? Como entender que crianças de estatura "minimal" levantem a mão aos pais e imponham a sua força?
Não sei se conseguimos encontrar soluções e respostas "standard" para este problema que, de facto, afecta com um vigor crescente a forma como a sociedade se organiza e se pensa. Os pais estão realmente perdidos na ambiguidade que se criou em torno da fronteira entre disciplina e ausência desta. Os limites, ou a noção de limite está disturcida, os pais não reconhecem o que é esperado ou não que as crianças façam. A escola não sabe como dizer aos pais que os limites começam em casa e demite-se do seu papel, o papel de educadora.
Não se percebe onde, nem quando, mas, erradamente, passou-se a mensagem de que é errado frustar as nossas crianças, que o não é prejudicial ao seu desenvolvimento e, mais grave, que o choro é um fenómeno contra-natura. Os efeitos, ou consequências, do impacto que uma birra provoca numa familia são devastadores - pais desorientados, crianças a gritar e... birras satifeitas, crianças silenciadas até à próxima, até ao próximo "eu quero!".
É evidente que a estrutura familiar mudou, os filhos "exigem" os ténis de marca, os pais envolvidos nas suas tarefas laborais perdem o tempo de qualidade e esquecem-se da importancia dos momentos a sós com as crianças, dos momentos de partilha, da leitura de histórias, do brincar. Muitas vezes absorvidos por um sentimento de culpa, os pais acabam por comprar os seus filhos, sem se aperceberem que os juros serão altos, demasiados altos para que possam continuar a atenuar a sua culpa satisfazendo os caprichos das crianças.
Tudo isto origina uma falta de critérios na maneira como se educam as nossas crianças, existe um sistemático empurrar de responsabilidades entre as instituições educativas e a "instituição" familia. A escola atribui às familas a responsabilidade pelos "defeitos" dos seus novos utentes e as familias culpam as escolas pela incapacidade que estas têm em resolver e remendar os "defeitos" dos seus filhos. Neste jogo de ping-pong, quais jogadores chineses, as crianças continuam a pedir ajuda, a pedir que alguém ou alguma coisa os contenha, lhes mostre um mundo organizado e com rotinas, um mundo em que existe espaço para ser criança, para crescer dentro de limites e onde os valores, direitos e deveres surgem de forma estruturada pela naturalidade do seu desenvolvimento.
Como tive oportunidade de referir recentemente, privar as crianças de uma educução de qualidade nos mais diversos contextos educativos é expô-las a uma forma preversa de maus-tratos, permitindo que as crianças se desenvolvam em pequenos ditadores, adolescentes delinquentes e mais tarde adultos incapazes de resitir às contrariedade e frustações que a vida em sociedade acarreta. Privar as crianças de estratégias resilientes é torná-las em pequenos tiranos senhores das suas vidas e das vidas alheias.
Sabe-se que quanto mais precoces forem os comportamentos de oposição e desafio maior é a probabilidade do comportamento anti-social se tornar crónico. Na mesma lógica, quanto mais precoce for a intervenção, maior a probabilidade de prevenir esses comportamentos. É importante que se reconheça esta dificuldade que a sociedade tem em lidar com estas crianças e perceba que os problemas de indisciplina deixaram, há muito tempo, de ser exclusivos de ambientes sociais desfavorecidos e, que pelo contrário, assumem contornos preocupantes em toda a nossa sociedade.
Não é suficiente intervir no sentido de melhorar exclusivamente as competências das crianças, ou dos pais, ou dos educadores, é fundamental que todas os contextos se envolvam na resolução deste problema, procurando melhorar práticas e oferecer melhores respostas...
As crianças agradecem...
Se 99,99% dos miudos não são efectivamente maus miudos e se, por outro lado, 99,99% dos pais não são de facto maus pais, como é que se entende este fenómeno crescente de indisciplina nas escolas e familias? Como se justifica que filhos ditem regras em casa e pais sejam subjugados às tiranias de crianças de 2 anos? Como entender que crianças de estatura "minimal" levantem a mão aos pais e imponham a sua força?
Não sei se conseguimos encontrar soluções e respostas "standard" para este problema que, de facto, afecta com um vigor crescente a forma como a sociedade se organiza e se pensa. Os pais estão realmente perdidos na ambiguidade que se criou em torno da fronteira entre disciplina e ausência desta. Os limites, ou a noção de limite está disturcida, os pais não reconhecem o que é esperado ou não que as crianças façam. A escola não sabe como dizer aos pais que os limites começam em casa e demite-se do seu papel, o papel de educadora.
Não se percebe onde, nem quando, mas, erradamente, passou-se a mensagem de que é errado frustar as nossas crianças, que o não é prejudicial ao seu desenvolvimento e, mais grave, que o choro é um fenómeno contra-natura. Os efeitos, ou consequências, do impacto que uma birra provoca numa familia são devastadores - pais desorientados, crianças a gritar e... birras satifeitas, crianças silenciadas até à próxima, até ao próximo "eu quero!".
É evidente que a estrutura familiar mudou, os filhos "exigem" os ténis de marca, os pais envolvidos nas suas tarefas laborais perdem o tempo de qualidade e esquecem-se da importancia dos momentos a sós com as crianças, dos momentos de partilha, da leitura de histórias, do brincar. Muitas vezes absorvidos por um sentimento de culpa, os pais acabam por comprar os seus filhos, sem se aperceberem que os juros serão altos, demasiados altos para que possam continuar a atenuar a sua culpa satisfazendo os caprichos das crianças.
Tudo isto origina uma falta de critérios na maneira como se educam as nossas crianças, existe um sistemático empurrar de responsabilidades entre as instituições educativas e a "instituição" familia. A escola atribui às familas a responsabilidade pelos "defeitos" dos seus novos utentes e as familias culpam as escolas pela incapacidade que estas têm em resolver e remendar os "defeitos" dos seus filhos. Neste jogo de ping-pong, quais jogadores chineses, as crianças continuam a pedir ajuda, a pedir que alguém ou alguma coisa os contenha, lhes mostre um mundo organizado e com rotinas, um mundo em que existe espaço para ser criança, para crescer dentro de limites e onde os valores, direitos e deveres surgem de forma estruturada pela naturalidade do seu desenvolvimento.
Como tive oportunidade de referir recentemente, privar as crianças de uma educução de qualidade nos mais diversos contextos educativos é expô-las a uma forma preversa de maus-tratos, permitindo que as crianças se desenvolvam em pequenos ditadores, adolescentes delinquentes e mais tarde adultos incapazes de resitir às contrariedade e frustações que a vida em sociedade acarreta. Privar as crianças de estratégias resilientes é torná-las em pequenos tiranos senhores das suas vidas e das vidas alheias.
Sabe-se que quanto mais precoces forem os comportamentos de oposição e desafio maior é a probabilidade do comportamento anti-social se tornar crónico. Na mesma lógica, quanto mais precoce for a intervenção, maior a probabilidade de prevenir esses comportamentos. É importante que se reconheça esta dificuldade que a sociedade tem em lidar com estas crianças e perceba que os problemas de indisciplina deixaram, há muito tempo, de ser exclusivos de ambientes sociais desfavorecidos e, que pelo contrário, assumem contornos preocupantes em toda a nossa sociedade.
Não é suficiente intervir no sentido de melhorar exclusivamente as competências das crianças, ou dos pais, ou dos educadores, é fundamental que todas os contextos se envolvam na resolução deste problema, procurando melhorar práticas e oferecer melhores respostas...
As crianças agradecem...
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Uma crise de identidade(s)?
Não há muito tempo, num daqueles dias quentes e solarengos de Março, fui almoçar a Lisboa, ao seu coração. Tive oportunidade de deambular, depois de uma bela refeição com o tejo como pano de fundo e a companhia de uma amiga de longa data, pelas ruas da baixa, chiado e do velhinho bairro alto.
Habituado ao cenário destes mesmo lugares durante a noite fiquei a pensar na espantosa diferença que se encontra na forma como as pessoas, as mesmas e outras que durante a noite animam Lisboa, se fazem mostrar.
O próprio bairro alto, local onde tantas e diversas identidades se encontram, tranforma-se numa clara afirmação do lugar comum que nos refere a mundança do dia para a noite. Os bares e a gentes que deambulam pelas ruas dão lugar a uma variedade de lojas e espaços lounche onde vestuário e penteados se cruzam, onde comprar roupa e lanchar acontece num mesmo lugar, onde a diversidade da oferta é tanta como a diversidade de quem procura.
Ao entrar numa dessas lojas deparei-me com um imenso conjunto de objectos que pareciam retirados de uma tempo antigo, associados a uma expressão cultural especifica, a uma história. Roupas, sapatos, penteados, maneirismos e expressões que viveram noutros tempos. A estravagância com que as diferentes expressões se misturam, tocam, cruzam num tempo tão global e diverso é absolutamente deliciosa.
Para além da diversidade dos serviços, também os conteudos, as formas nos fazem viajar até outras decadas, não uma especifica, mas várias misturadas num século que agora começa. Dizem-me que é o natural movimento ciclico das coisas, que é a reciclagem que de tempos em tempos fazemos do bau das recordações para reviver num tempo presente excessos e histórias de um tempo passado.
Mas eu questiono-me, será?
Questiono se este pluralismo de formas e conteudos de outra hora se devem, por um lado, à abertura do mundo a uma globalização que faz a informação, conteudos e histórias de hoje se misturem com a informação, conteudos e histórias de outros tempos, ou se, por outro, esta diversidade, esta "aculturação" não é mais do que o resultado de uma vazio ideológico, de uma falta de identidade que nos leva a procurar referências antigas e distantes...
Referências que nos faltam...
Habituado ao cenário destes mesmo lugares durante a noite fiquei a pensar na espantosa diferença que se encontra na forma como as pessoas, as mesmas e outras que durante a noite animam Lisboa, se fazem mostrar.
O próprio bairro alto, local onde tantas e diversas identidades se encontram, tranforma-se numa clara afirmação do lugar comum que nos refere a mundança do dia para a noite. Os bares e a gentes que deambulam pelas ruas dão lugar a uma variedade de lojas e espaços lounche onde vestuário e penteados se cruzam, onde comprar roupa e lanchar acontece num mesmo lugar, onde a diversidade da oferta é tanta como a diversidade de quem procura.
Ao entrar numa dessas lojas deparei-me com um imenso conjunto de objectos que pareciam retirados de uma tempo antigo, associados a uma expressão cultural especifica, a uma história. Roupas, sapatos, penteados, maneirismos e expressões que viveram noutros tempos. A estravagância com que as diferentes expressões se misturam, tocam, cruzam num tempo tão global e diverso é absolutamente deliciosa.
Para além da diversidade dos serviços, também os conteudos, as formas nos fazem viajar até outras decadas, não uma especifica, mas várias misturadas num século que agora começa. Dizem-me que é o natural movimento ciclico das coisas, que é a reciclagem que de tempos em tempos fazemos do bau das recordações para reviver num tempo presente excessos e histórias de um tempo passado.
Mas eu questiono-me, será?
Questiono se este pluralismo de formas e conteudos de outra hora se devem, por um lado, à abertura do mundo a uma globalização que faz a informação, conteudos e histórias de hoje se misturem com a informação, conteudos e histórias de outros tempos, ou se, por outro, esta diversidade, esta "aculturação" não é mais do que o resultado de uma vazio ideológico, de uma falta de identidade que nos leva a procurar referências antigas e distantes...
Referências que nos faltam...
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Pensar as Instituições
Vivemos tempos contorbados e de dificeis definições nos diversos campos de intervenção educativa. Num periodo em que os sinais do Governo são inequivocamente contorversos e por vezes incoerentes e contradiórios no que diz respeito à educação, as crianças, para quem deviam ser pensadas as escolas e outros serviços educativos, estão cada vez mais sós e isoladas nas batalhas e dificuldades que se lhes deparam.
A realidade de quem educa é diferente de quem decide.
A realidade de quem decide é diferente de quem estuda.
A realidade das crianças é a que menos conta neste processo de sistemáticos equivocos...
Cair na crítica fácil pode ser uma tendência de quem vive e procura, com humildade, pensar a "nossa" educação. Igualmente, pode-se cair na terrivel asneira de culpabilizar indiferenciadamente os agentes educativos através de atribuições externas de responsabilidades. Aceitamos a paixão que o tema suscita e afastamo-nos de uma postura que deveria receber das nossas Universidades o que elas produzem, em termos de "saber", e continuamos a cometer os erros que os outros, antes de nós, já cometeram. Mais grave é continuarmos a incorrer nos mesmos erros (repito: que outros já cometeram) sob a desculpa de serem erros normais do percurso essencial da nossa eternamente jovem democracia. A verdade é que já não é assim tão jovem...
Diz-nos a psicologia que a capacidade de aprender com os erros, sejam nossos, ou de outros é uma sinal inequivoco de intelingência, talvez seja a adapatação de que Piaget nos fala e que os étologos reforçam. Mas de adaptação vê-se pouco...
Ao afastarmos-nos do "pensar", "diferenciar", "equilibrar", aproximamo-nos do "racionalizar", "racionar", "cortar", afastamo-nos da qualidade a que uma "cultura de criança" nos exige e aproximamo-nos da indiferença pelo que fazemos do nosso futuro.
A sociedade é vitima de sistemáticas e violentas mudanças que não só nos afectam diariamente como se dão a um ritmo fernético e avassalador. A flexibilidades das nossas estruturas é escassa e perante tamanha exigência que o ritmo da modernidade nos coloca, são grande as dificuldades para não colapsarem.
É importante que os educadores se pensem e recoloquem perante as dificuldades, que garantam às nossas crianças um educação de qualidade, respeitando as dificuldades que os ritmos de hoje nos colocam, mas nunca esquecendo que numa "cultura da criança", o dever principal é educá-las. Privá-las deste direito é negligenciar o "outro", é, efectivamente, uma forma preversa de maus-tratos...
A realidade de quem educa é diferente de quem decide.
A realidade de quem decide é diferente de quem estuda.
A realidade das crianças é a que menos conta neste processo de sistemáticos equivocos...
Cair na crítica fácil pode ser uma tendência de quem vive e procura, com humildade, pensar a "nossa" educação. Igualmente, pode-se cair na terrivel asneira de culpabilizar indiferenciadamente os agentes educativos através de atribuições externas de responsabilidades. Aceitamos a paixão que o tema suscita e afastamo-nos de uma postura que deveria receber das nossas Universidades o que elas produzem, em termos de "saber", e continuamos a cometer os erros que os outros, antes de nós, já cometeram. Mais grave é continuarmos a incorrer nos mesmos erros (repito: que outros já cometeram) sob a desculpa de serem erros normais do percurso essencial da nossa eternamente jovem democracia. A verdade é que já não é assim tão jovem...
Diz-nos a psicologia que a capacidade de aprender com os erros, sejam nossos, ou de outros é uma sinal inequivoco de intelingência, talvez seja a adapatação de que Piaget nos fala e que os étologos reforçam. Mas de adaptação vê-se pouco...
Ao afastarmos-nos do "pensar", "diferenciar", "equilibrar", aproximamo-nos do "racionalizar", "racionar", "cortar", afastamo-nos da qualidade a que uma "cultura de criança" nos exige e aproximamo-nos da indiferença pelo que fazemos do nosso futuro.
A sociedade é vitima de sistemáticas e violentas mudanças que não só nos afectam diariamente como se dão a um ritmo fernético e avassalador. A flexibilidades das nossas estruturas é escassa e perante tamanha exigência que o ritmo da modernidade nos coloca, são grande as dificuldades para não colapsarem.
É importante que os educadores se pensem e recoloquem perante as dificuldades, que garantam às nossas crianças um educação de qualidade, respeitando as dificuldades que os ritmos de hoje nos colocam, mas nunca esquecendo que numa "cultura da criança", o dever principal é educá-las. Privá-las deste direito é negligenciar o "outro", é, efectivamente, uma forma preversa de maus-tratos...
segunda-feira, 26 de março de 2007
O porquê da limitação...
A relação que cada um de nós tem com o "saber" varia, como tudo o que nos diz respeito, de pessoa para pessoa.
Eu quero saber muito e de tudo um pouco, pela curiosidade natural e pela vontade e desejo de que poucas coisas me passem ao lado. Acontece que nesta busca de saber mais coisas sobre as mesmas coisas não nos apercebemos da quantidade de outras coisas que não sabemos simplesmente por não as conhecemos, ou melhor, porque as desconhecemos...
É nestes momentos de consciência que me deparo com a terrivel frustação de tantas coisas que desconheço. Mais dificil se torna esta relação quando por impossibilidade encefálica e temporal sou obrigado a fazer escolhas, a afunilar um caminho que preferia largo e vasto...
O "saber" que ultrapassa o senso comum é dificil de apropriar, requer tempo, dedicação e obstinação... mais dificil se torna quando sabemos que há muita coisa que desconhecemos, um desconhecimento de não conhecer, não de não saber...
Eu quero saber muito e de tudo um pouco, pela curiosidade natural e pela vontade e desejo de que poucas coisas me passem ao lado. Acontece que nesta busca de saber mais coisas sobre as mesmas coisas não nos apercebemos da quantidade de outras coisas que não sabemos simplesmente por não as conhecemos, ou melhor, porque as desconhecemos...
É nestes momentos de consciência que me deparo com a terrivel frustação de tantas coisas que desconheço. Mais dificil se torna esta relação quando por impossibilidade encefálica e temporal sou obrigado a fazer escolhas, a afunilar um caminho que preferia largo e vasto...
O "saber" que ultrapassa o senso comum é dificil de apropriar, requer tempo, dedicação e obstinação... mais dificil se torna quando sabemos que há muita coisa que desconhecemos, um desconhecimento de não conhecer, não de não saber...
quarta-feira, 21 de março de 2007
O conhecimento, le connaissance, das Wissen, la conoscenza, el conocimiento, знание, η γνώση, 知識
Sinto-me limitado pelo que não conheço, pelo que não sei...
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Diz o publico...
INQUÉRITO CONCLUI QUE HÁ MENTALIDADE PERMISSIVA EM RELAÇÃO À CORRUPÇÃO!
e Socrates (2007) diz que a promoção de igualdade e da não discriminação é para levar a peito com sentido de responsabilidade, comprometendo-se a uma mudança estrural, depressa e com garantias.
e eu pergunto: COMO?
e Socrates (2007) diz que a promoção de igualdade e da não discriminação é para levar a peito com sentido de responsabilidade, comprometendo-se a uma mudança estrural, depressa e com garantias.
e eu pergunto: COMO?
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Sunitas, Xiitas, Sectarismos, Chauvinismos e Proselitismos - Dicionário prático para o conflito no Médio Oriente
Hoje em dia somos sistematicamente bombardeados com termos cujo o entendimento imediato, pelo menos para a maioria, nos escapa.
O conflito alargado no médio oriente arrastanda-se indefinidamente pelo tempo e com ele surgem noticias diárias de atentados e virgens prometidas a jovens sectários (do latim sectariu, entenda-se: membro fanático e intolerante de uma determinada seita ou facção religiosa).
Este sectarismo (de sectário) é alimentado, com especial incidência depois da pressão dos Estados Unidos contra o programa nuclear iraniano, pelo conflito histórico de duas facções/leituras do Islamismo, os sunitas e os xiitas. Ao que parece as primeiras divergências remontam ao sec. VII quando sunitas e xiitas entram em desacordo relativamente ao sucessor do profeta Maomé. Desde então as diferenças na forma de "viver" o islamismo têm-se acentuado. Os sunitas consideram os xiitas infiéis e hipócritas.
Acontece que sunitas e xiitas encontram-se espalhados pelos paises muçulmanos do Médio Oriente e herdam da história o peso do conflito entre o Império Otomano (sunita) e o Império Safávida (xiita). Toda esta história de conflito originou divisões no território e na distribuição de sunitas e xiitas pelo Médio Oriente.
Iraque, Bahrein e Irão são paises maioritariamente xiitas, ao contrário da Arábia Saudita, Egipto e Libano, onde esta comunidade representa uma pequena minoria submetida ao chauvinismo (entenda-se: patriotismo exarcebado) dos restantes arábes.
Outro facto histórico relevante para compreender a actualidade do mundo árabe é a revolução islâmica ocorrida em 1979, no Irão, considerada por muitos um ressurgimento xiita. Actualmente o Irão tem vindo a ganhar expressão e está nas bocas do mundo pelo seu, esperemos, hipotético poderio nuclear. Refugiando-se num falso receio que esta ascensão conduza a um proselitismo (entenda-se: converter um povo a novas doutrinas, seitas ou religiões), os paises maioritariamente sunitas incenticam esta crispação com os xiitas.
Contudo, é possivel fazer uma leitura mais realista, mais actual à luz dos factos e que Hassan al-Saffar, teólogo xiita, sintetiza da seguintes forma: "Existe uma campanha contra os xiitas. Por que razão se está a fomentar todo este sentimento anti-xiita numa altura em que os estados Unidos estão a tentar pressionar o Itão devido às suas ambições nucleares?".
Também Hassan Nasrallah, inimigo declarado do estado de Israel e lider do Hezbollah, é xiita.
Será que toda esta instabilidade se deve a influência externa? Qual o interesse dos Estados Unidos e Israel neste conflito entre muçulmanos? Porque ficam Arábia Saudita, Egipto e Jordânia (aliados e parceiros económicos dos Estados Unidos) impávidos perante tanta instabilidade e conflituosidade?
Já diz o povo: "Dividir para conquistar".
O conflito alargado no médio oriente arrastanda-se indefinidamente pelo tempo e com ele surgem noticias diárias de atentados e virgens prometidas a jovens sectários (do latim sectariu, entenda-se: membro fanático e intolerante de uma determinada seita ou facção religiosa).
Este sectarismo (de sectário) é alimentado, com especial incidência depois da pressão dos Estados Unidos contra o programa nuclear iraniano, pelo conflito histórico de duas facções/leituras do Islamismo, os sunitas e os xiitas. Ao que parece as primeiras divergências remontam ao sec. VII quando sunitas e xiitas entram em desacordo relativamente ao sucessor do profeta Maomé. Desde então as diferenças na forma de "viver" o islamismo têm-se acentuado. Os sunitas consideram os xiitas infiéis e hipócritas.
Acontece que sunitas e xiitas encontram-se espalhados pelos paises muçulmanos do Médio Oriente e herdam da história o peso do conflito entre o Império Otomano (sunita) e o Império Safávida (xiita). Toda esta história de conflito originou divisões no território e na distribuição de sunitas e xiitas pelo Médio Oriente.
Iraque, Bahrein e Irão são paises maioritariamente xiitas, ao contrário da Arábia Saudita, Egipto e Libano, onde esta comunidade representa uma pequena minoria submetida ao chauvinismo (entenda-se: patriotismo exarcebado) dos restantes arábes.
Outro facto histórico relevante para compreender a actualidade do mundo árabe é a revolução islâmica ocorrida em 1979, no Irão, considerada por muitos um ressurgimento xiita. Actualmente o Irão tem vindo a ganhar expressão e está nas bocas do mundo pelo seu, esperemos, hipotético poderio nuclear. Refugiando-se num falso receio que esta ascensão conduza a um proselitismo (entenda-se: converter um povo a novas doutrinas, seitas ou religiões), os paises maioritariamente sunitas incenticam esta crispação com os xiitas.
Contudo, é possivel fazer uma leitura mais realista, mais actual à luz dos factos e que Hassan al-Saffar, teólogo xiita, sintetiza da seguintes forma: "Existe uma campanha contra os xiitas. Por que razão se está a fomentar todo este sentimento anti-xiita numa altura em que os estados Unidos estão a tentar pressionar o Itão devido às suas ambições nucleares?".
Também Hassan Nasrallah, inimigo declarado do estado de Israel e lider do Hezbollah, é xiita.
Será que toda esta instabilidade se deve a influência externa? Qual o interesse dos Estados Unidos e Israel neste conflito entre muçulmanos? Porque ficam Arábia Saudita, Egipto e Jordânia (aliados e parceiros económicos dos Estados Unidos) impávidos perante tanta instabilidade e conflituosidade?
Já diz o povo: "Dividir para conquistar".
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Público novo ou novo público
Terminei de ler o Público de Domingo.
Esperei uma semana até me pronunciar sobre o novo grafismo, a nova organização e o novo formato do jornal "Público". Esperei, por diversas razões. A primeira prendia-se com o facto de desejar ter uma panorâmica do que será o Público ao longo da semana, de que forma o seu novo formato alteraria a organização dos conteudos, o painel de comentadores, a sua coerência e a sua "arrumação". Habituado ao cuidado e rigor dos conteudos publicados, a segunda razão prendia-se com o desejo de confirmar se ao novo formato se juntaria um novo conteudo, mais disperso, menos aprofundado. Finalmente, esperei para ler todos os comentadores - novos e antigos - e verificar de que forma enriquecem, ou não, o Público Novo.
Pessoalmente, gosto do Público novo. O jornal surge agora mais "arrumado", com o mesmo rigor e mais atraente ao olhos que lêem. O novo caderno P2 contribui significativamente para esta alteração, com reportagens actuais, sugestões diárias para a ocupação dos tempos livres (fora e dentro de casa) e mais importante, tudo muito bem arrumado num único caderno.
Os comentadores pouco alteram e as suas opiniões, naturalmente, mantém-se suas e dentro da mesma linha, alguns coerentes, outros confusos e outros ainda, do contra. Mantém-se os "todolgos" (expressão de uma antigo professor meu), surgem alguns irónicos e melhora-se o editorial.
Porque sou um leitor assiduo e porque de facto gosto de ler o jornal de ponta a ponta, gosto deste Público novo e estou convicto que cativará, com toda a certeza, um novo publico.
Esperei uma semana até me pronunciar sobre o novo grafismo, a nova organização e o novo formato do jornal "Público". Esperei, por diversas razões. A primeira prendia-se com o facto de desejar ter uma panorâmica do que será o Público ao longo da semana, de que forma o seu novo formato alteraria a organização dos conteudos, o painel de comentadores, a sua coerência e a sua "arrumação". Habituado ao cuidado e rigor dos conteudos publicados, a segunda razão prendia-se com o desejo de confirmar se ao novo formato se juntaria um novo conteudo, mais disperso, menos aprofundado. Finalmente, esperei para ler todos os comentadores - novos e antigos - e verificar de que forma enriquecem, ou não, o Público Novo.
Pessoalmente, gosto do Público novo. O jornal surge agora mais "arrumado", com o mesmo rigor e mais atraente ao olhos que lêem. O novo caderno P2 contribui significativamente para esta alteração, com reportagens actuais, sugestões diárias para a ocupação dos tempos livres (fora e dentro de casa) e mais importante, tudo muito bem arrumado num único caderno.
Os comentadores pouco alteram e as suas opiniões, naturalmente, mantém-se suas e dentro da mesma linha, alguns coerentes, outros confusos e outros ainda, do contra. Mantém-se os "todolgos" (expressão de uma antigo professor meu), surgem alguns irónicos e melhora-se o editorial.
Porque sou um leitor assiduo e porque de facto gosto de ler o jornal de ponta a ponta, gosto deste Público novo e estou convicto que cativará, com toda a certeza, um novo publico.
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Sitios onde estive...
Relembro agora sitios por onde passei...
Melgaço, no ano de 2002, terra de boa gente e acima de tudo de muito bom vinho, alvarinho pois claro...
Ali tão perto morreu uma criança vitima de maus tratos... Foi em Monção no nosso Portugal!
A conclusão da investigação realizada pelo Ministério Público indica que as Instituições de protecção de menores do Estado “funcionam de forma desarticulada e, em vários casos, desprovidas de técnicos competentes para o efeito”.
A mãe da menor continua em prisão preventiva, o pai encontra-se em liberdade...
E a menor, essa, está morta...
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Descoberta
Descobri ontem, acidentalmente, nas minhas deambulações pela web a revista Sisifo.
Recomendo a sua leitura a todos cujo tema educação interessa, não só pelos conteudos como por quem os partilha. Desde a escolha do nome, cuja explicação é bastante interessante, até à riqueza dos contributos dos diversos intervenientes, a revista apresenta-se pertinente, actual e acima de tudo, rigorosa - algo que vai faltando por cá...
Recomendo a sua leitura a todos cujo tema educação interessa, não só pelos conteudos como por quem os partilha. Desde a escolha do nome, cuja explicação é bastante interessante, até à riqueza dos contributos dos diversos intervenientes, a revista apresenta-se pertinente, actual e acima de tudo, rigorosa - algo que vai faltando por cá...
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
Novo Ano
Vem ai um novo ano...
Para quem vive por aqui, entenda-se terras Lusas, a vida não está fácil nem se advinha fácil para os próximos tempos. Bem sei que existem males maiores e que de todas as dificuldades e catástrofes do Mundo, as dificuldades dos Portugueses não podem ser comparaveis, não estamos em guerra nem vimos as nossas gentes morrerem com fome...
Contudo, como Português que gosta do seu pais e que ama viver por cá, não posso deixar de me importonar, incomodar com a falta de senso institucional e com a escassa solidariedade enraizada na nossa jovem e ainda antiga sociedade... Como pode ser jovem e simultaneamente antiga? Bom, isso seria uma outra questão que nos levaria muito tempo e energia a discutir.
Mas voltando ao que de mais enraizado encontramos na nossa sociedade, temos um príncipio geral, tranfersal e, eu diria até Universal, o princípio de que o que realmente importa é o lucro, o luxo de uns sem se ter em conta as dificuldades do outro. Como se justifica que sejamos um pais não muito rico, mas ainda assim o 4º em que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é a maior? Como se compreende a canalhice que Governo e Camâra de Lisboa fizeram aos Lisboetas e Portugueses em geral, fazendo-nos pagar, dos nossos bolsos, uma idmenização por capricho ou será que não foi capricho e não havia outra coisa a fazer? Resta saber por e para quem? Como se pode compreender que a ministra da Educação não perceba que divide e segmenta o bem mais precisoso que temos como cidadãos, ter acesso a uma educação livre cujos seus agentes trabalham para as crianças e não um sistema educativa em que as crianças e jovens são somente algo necessário para que alguém se possa alimentar... Esqueceu-se do bem mais precioso para negociar com os professores, ouvi-los, e acima de tudo ouvir os alunos e deixá-los que, dentro do bom senso, sejam eles a escolher os caminhos e opções que podem e devem seguir.
Mas nem só aqui se vai lixando o mexelhão, os Bancos anunciam lucros inegualáveis em qualquer outro sector comercial e financeiro, ainda assim queixam-se de pagarem impostos altos, embora continuem abaixo do que eu ou qualquer outro português paga. Não flexibilizão o crédito habitação, não pensam em parcerias que possam ser lucrativas para jovens licenciados que pretendam iniciar um pequeno negócio, aplicam taxas de juro elevadissimas como se não pudessem fazer outra coisa... Hipócritas!
Os combustiveis também aumentam, quando a tendência tem sido a baixa dos valores do barril de petróleo. As petroliferas vivem numa especie de comunidade secreta em que os preços são todos iguais, sem que a liberalização dos combustiveis tenha efectivamente chegado ao nosso pais. Quando se deu o aumento vertiginoso dos barris também as petroliferas foram celeres a aumentar o valor dos combustiveis, agora que se mantém algum tempo estável e com relativas baixas a tendência foi baixa um pouco para agora voltar a subir...
Mas isto são só alguns exemplos de alguém que nada percebe, que nem totolgo é como os senhores que vemos na televisão discutir tudo e mais alguma coisa, a verdade é que ninguém faz nada e eu como cidadão só posso, infelizmemente, não ficar calado...
Para quem vive por aqui, entenda-se terras Lusas, a vida não está fácil nem se advinha fácil para os próximos tempos. Bem sei que existem males maiores e que de todas as dificuldades e catástrofes do Mundo, as dificuldades dos Portugueses não podem ser comparaveis, não estamos em guerra nem vimos as nossas gentes morrerem com fome...
Contudo, como Português que gosta do seu pais e que ama viver por cá, não posso deixar de me importonar, incomodar com a falta de senso institucional e com a escassa solidariedade enraizada na nossa jovem e ainda antiga sociedade... Como pode ser jovem e simultaneamente antiga? Bom, isso seria uma outra questão que nos levaria muito tempo e energia a discutir.
Mas voltando ao que de mais enraizado encontramos na nossa sociedade, temos um príncipio geral, tranfersal e, eu diria até Universal, o princípio de que o que realmente importa é o lucro, o luxo de uns sem se ter em conta as dificuldades do outro. Como se justifica que sejamos um pais não muito rico, mas ainda assim o 4º em que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é a maior? Como se compreende a canalhice que Governo e Camâra de Lisboa fizeram aos Lisboetas e Portugueses em geral, fazendo-nos pagar, dos nossos bolsos, uma idmenização por capricho ou será que não foi capricho e não havia outra coisa a fazer? Resta saber por e para quem? Como se pode compreender que a ministra da Educação não perceba que divide e segmenta o bem mais precisoso que temos como cidadãos, ter acesso a uma educação livre cujos seus agentes trabalham para as crianças e não um sistema educativa em que as crianças e jovens são somente algo necessário para que alguém se possa alimentar... Esqueceu-se do bem mais precioso para negociar com os professores, ouvi-los, e acima de tudo ouvir os alunos e deixá-los que, dentro do bom senso, sejam eles a escolher os caminhos e opções que podem e devem seguir.
Mas nem só aqui se vai lixando o mexelhão, os Bancos anunciam lucros inegualáveis em qualquer outro sector comercial e financeiro, ainda assim queixam-se de pagarem impostos altos, embora continuem abaixo do que eu ou qualquer outro português paga. Não flexibilizão o crédito habitação, não pensam em parcerias que possam ser lucrativas para jovens licenciados que pretendam iniciar um pequeno negócio, aplicam taxas de juro elevadissimas como se não pudessem fazer outra coisa... Hipócritas!
Os combustiveis também aumentam, quando a tendência tem sido a baixa dos valores do barril de petróleo. As petroliferas vivem numa especie de comunidade secreta em que os preços são todos iguais, sem que a liberalização dos combustiveis tenha efectivamente chegado ao nosso pais. Quando se deu o aumento vertiginoso dos barris também as petroliferas foram celeres a aumentar o valor dos combustiveis, agora que se mantém algum tempo estável e com relativas baixas a tendência foi baixa um pouco para agora voltar a subir...
Mas isto são só alguns exemplos de alguém que nada percebe, que nem totolgo é como os senhores que vemos na televisão discutir tudo e mais alguma coisa, a verdade é que ninguém faz nada e eu como cidadão só posso, infelizmemente, não ficar calado...
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
De VOLTA???
Estive tanto tempo ausente do Bolg, das palavras e das leituras que não são só de quem as escreve, mas também, e quase sempre, de quem as lê, que o reencontro com as teclas e com a escrita de coisas várias é-me dificil e intermitente.
Difícil, porque me sinto enferrojado e perro, nas ideias, nos dedos e nos conteudos.
Intermitente, porque embora queira ficar e conseguir manter-me por aqui continuamente e sem escapadela, é-me impossivel afirmá-lo com certeza, por mim, pelo trabalho e por me conhecer...
Bom Ano a todos,
t.
Difícil, porque me sinto enferrojado e perro, nas ideias, nos dedos e nos conteudos.
Intermitente, porque embora queira ficar e conseguir manter-me por aqui continuamente e sem escapadela, é-me impossivel afirmá-lo com certeza, por mim, pelo trabalho e por me conhecer...
Bom Ano a todos,
t.
quarta-feira, 28 de junho de 2006
Casa...
Estou condenado deste o passado sabado a permanecer em casa...
Tenho como limite de espaço nos próximos 10 dias as paredes da minha simpática casa.
Sou neste momento um ser humano contagioso para a maioria dos seres humanos e potencialmente perigoso para crianças e fetos dentro de grávidas!
Sou neste momento um adulto com doença de criança... pontos vários pelo corpo-qual camaleão- e com uma verdadeira oportunidade de retemperar energias... haja disponibilidade!
Enfim... venha o ar, venha a vida desenfreada sempre a correr, mas acabe-se o tédio de ver os dias passarem embrulhado no sofá a ver filmes nas pausas dos cochilos sistemáticos...
Tenho como limite de espaço nos próximos 10 dias as paredes da minha simpática casa.
Sou neste momento um ser humano contagioso para a maioria dos seres humanos e potencialmente perigoso para crianças e fetos dentro de grávidas!
Sou neste momento um adulto com doença de criança... pontos vários pelo corpo-qual camaleão- e com uma verdadeira oportunidade de retemperar energias... haja disponibilidade!
Enfim... venha o ar, venha a vida desenfreada sempre a correr, mas acabe-se o tédio de ver os dias passarem embrulhado no sofá a ver filmes nas pausas dos cochilos sistemáticos...
sexta-feira, 23 de junho de 2006
domingo, 18 de junho de 2006
As neuras...
Há dias em que o simples abrir das pestanas para mais um inicio tardio de dia significa um estado tal de amargura contagiante a tudo o que nos rodeia... Deixa de ser a nossa amargura, a nossa rabugisse e passa a ser parte integrante de tudo o que nos faz sentir...
Preservo-me neste dias que ultimamente tanto me tem atormentado, guardo para mim as suposições e as amarguras e reservo-me a encaixotar algures no baú da mente o que não interessa!
Bem sei que as neuras são comuns a todos nós, uns porque as hormonas existem e inevitavelmente modificam e controlam tudo... Outros porque são neuróticos e o simples bater de uma peça no enredo criado significa todo um novo ciclo de ruminanço interminavel... Outros ainda, porque a companhia excessiva da cama lhe devolve um humor sem graça, perdido na felicidade dos outros que não é a nossa... Depois temos os que são naturalmente forças da natureza na arte de azedar... ultrapassam-me este ultimos!
Enfim... Um dia de cada vez dizem... que seja!
Venha o próximo
Preservo-me neste dias que ultimamente tanto me tem atormentado, guardo para mim as suposições e as amarguras e reservo-me a encaixotar algures no baú da mente o que não interessa!
Bem sei que as neuras são comuns a todos nós, uns porque as hormonas existem e inevitavelmente modificam e controlam tudo... Outros porque são neuróticos e o simples bater de uma peça no enredo criado significa todo um novo ciclo de ruminanço interminavel... Outros ainda, porque a companhia excessiva da cama lhe devolve um humor sem graça, perdido na felicidade dos outros que não é a nossa... Depois temos os que são naturalmente forças da natureza na arte de azedar... ultrapassam-me este ultimos!
Enfim... Um dia de cada vez dizem... que seja!
Venha o próximo
quarta-feira, 14 de junho de 2006
Quando Lisboa é Lisboa...
No mês de Junho Lisboa volta às suas raizes, à sua identidade popular e perde o snobismo de urbe intelectualoide que insiste em tornar a cidade num local de nichos e tribos sociais... Talvez a excepção esteja na salada de frutas que o Bairro Alto nos vai oferecendo, reunindo todo o tipo de pessoas em todos os mais diversos lugares comuns...Mas voltando a Junho, quando Lisboa é Lisboa e volta à raiz de dançar ao som dos artistas populares que não poucas vezes critico pela pobreza artistica e pelo reflexo pobre que dá da musica e cultura que se vive neste pais...
Junho trás os cheiros! Trás a sardinha assada e as febras na brasa... as ruas dos nossos bairros populares são invadidas pelos odores intensos das brasas!
Junho trás as cores! Ruas compridas e estreitas são enfeitadas com cores e luzes várias, enfeitos que preenchem o imaginário popular alfacinha!
Junho trás as gentes! As ruas são invadidas pela vontade comum de viver a folia, a alegria de andar sem parar e ver mundo e meio em sintonia onde só cabe meio mundo!
Junho trás a musica que se diz portuguesa! Os bailaricos ao som de artistas populares multiplicam-se, os criticos como eu deixam-se envolver e cantam como nunca os exitos que tanto condenam!
Junho trás as marchas! Se existe o carnaval, Lisboa vive para as marchas, para a disputa baIrrista de se ganhar o prémio de um ano de trabalho!
Enfim... em Junho Lisboa trás consigo o cheiro popular que tanta mistica lhe dá, Lisboa é fado, é gente na rua, é sardinha assada, é as marchas populares, é uma mistura de cor e vida que peca por ser temporária...
Em breve esta harmonia e este espirio alfacinha perder-se-ão, mas fica a certeza, como todos os anos fica, de que para o ano há mais...
domingo, 11 de junho de 2006
Há momentos assim...

Durante um largo periodo estive a trabalhar à noite, a servir bebidas e petiscos vários num bar do bairro alto... A experiência foi optima, pelas pessoas com quem trabalhei e pelas pessoas que tive oportunidade de conhecer...
Contudo, a verdade é que enquanto trabalhava nesse mesmo bar a servir bebidas e petiscos vários às mais diversas pessoas, perdia as jantaradas em casa dos amigos, as noitadas no bairro, as visitas culturais a bailados, concertos ou instalações (como odeio este conceito...). Perdia simplesmente pela impossibilidade de estar presente!
Faz pouco tempo que deixei de estar nesse mesmo bar a servir bebidas e petiscos vários e as jantaradas regressaram ao ritmo ideal, as conversas continuam onde ficaram da ultima vez, as pessoas mantém-se as mesmas e as distâncias reduzidas...
Ontem foi dia de jantarada. Riso, canto, diversão, poesia, vodka russo, conversas que expõem, pessoas que nos seduzem na arte de serem...
Foi bom sentir toda esta plenitude e voltar ao meu Gin... doce e eloquente quanto baste!
Cereja no topo do bolo, recebi a minha prende de aniversário, um livro de Boris Vian (escritor de eleição), um livro que não sabia exisitir... Pensava já ter lido tudo dele, mas afinal como alguém diz: "Nunca ninguém lê tudo de alguém..."
Parece que é verdade...
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Crianças Invisíveis

Na passada sexta feira, tive oportunidade de assistir ao visionamento de imprensa do filme Crianças Invisiveis, antes de partir novamente com destino a Itália!
O filme conta de forma inequivoca histórias de crianças que estão em todo o lado, mas que muitas vezes os nossos olhos se esquecem de ver... Sob o olhar de 7 maravilhosos realizadores, são nos dados a ver testemunhos de uma realidade que nos passa diariamente ao lado... A forma como Emir Kusturica, John Woo, Spike Lee, Ridley Scott, Mehdi Charef, Katia Lund e Stefano Veneruso nos contam as histórias destas crianças fazem-nos entrar em momentos arrepiantes de profunda comução...
Histórias reais de vidas reais com personagens que vivem a fantasia da realidade de outros, é um filme verdadeiramente belo, pela inocência e despudor com que nos faz chegar o relato de vidas que muitas vezes ignoramos... talvez por ser mais fácil que continuem como sempre estiveram... INVISÍVEIS...
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