quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Os benefícios da Ciência. A distância da prática.

Ao longo de todo o meu percurso, enquanto estudante e profissional da Psicologia e da Educação, houve uma frase que sempre me acompanhou desde o momento em que a ouvi: "A teoria é uma ferramenta que levamos às costas quando vamos para a prática.", by Zé Morgado que podem encontrar aqui.
É inevitável que assim seja, porque só assim conseguimos responder ao "aqui e agora" que o trabalho no terreno nos solicita permanentemente. Vivemos numa espécie de "learning by doing", mas a verdade é que o critério para a tomada de decisão tende a ser mais acertado quando o que está por trás dela é o conhecimento sustentado sobre uma determinada temática.
Feito este ponto prévio, gostaria de partilhar este artigo que li na Scientific American com o titulo: "Getting it Wrong: Surprising tips on How to Learn". O artigo apresenta vários estudos que indicam os benefícios do erro na aprendizagem e na recuperação da informação.
No fundo, o que os diversos estudos procuram evidenciar é que o erro não é algo a evitar, mas antes algo a valorizar na aprendizagem, porque facilita a compreensão e a significação dos conteúdos. Para quem acredita que a aprendizagem deve ser significativa e partir da pesquisa activa do conhecimento, há muito que defende esta perspectiva. Contudo, para quem acredita que evitar o erro é a melhor forma de fomentar a aprendizagem acredito que leitura deste texto possa ser um importante contributo para se ponderarem outras possibilidades.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Diversidade = Qualidade

Quando olhamos para os indicadores de qualidade que a massificação do ensino trouxe a Portugal, nomeadamente, na definição de políticas educativas que fomentavam a ideia de que TODOS os alunos tinham de efectuar o mesmo percurso educativo que deveria terminar no ingresso no ensino superior.
A verdade é que uma ideia cujo objectivo era proporcionar as mesmas oportunidades de acesso a uma educação melhor e mais qualificada, acabou por perverter o acesso a essa igualdade de oportunidades ao impossibilitar o respeito pela diferença e, mais grave, ao inviabilizar uma escolha livre de acordo com as motivações de cada um. Pretendeu-se ensinar a todos o mesmo, acreditando que assim se diminuía o fosso existente entre as classes sociais, garantindo uma melhor distribuição de oportunidades por todos.
Contudo, embora a intenção fosse boa, a verdade é que os resultados foram catastróficos levando a um aumento do abandono e do insucesso escolar. Não por que a escola fosse pior, mas porque para motivar e cativar (sim, como no principezinho) TODOS os alunos, a escola precisa de ter respostas diversificadas que vão ao encontro dos interesses e motivações dos alunos.
"Nem todos temos de ser doutores", disseram-me em tempos... Concordo!
O que temos é de apostar numa melhor qualificação dos nossos jovens, reconhecendo que a educação é, cada vez mais, ao longo de toda a vida e que a escolha de um caminho é poucas vezes irreversível, mas antes o inicio de um longo percurso.
Naturalmente isto levamos à discussão do que deve ser a Educação Básica, ou seja, qual o currículo essencial que todos os alunos devem aprender como base da sua formação cívica, científica, pedagógica e humana. Difícil...
Por isso, apenas me congratulo com uma boa noticia do Público: o número de alunos a frequentarem escolas profissionais aumentou em 10 mil alunos.
É verdade que este aumento é de louvar, mas continua a existir o preconceito de que quem escolha estes cursos são os alunos que têm "maus resultados" ou "pouco jeito para a escola", ou seja, existe uma conotação, altamente perversa, a este tipo de vias profissionalizantes a uma espécie de recurso ou 2ª via para os alunos que não cabem nos cursos de secundário.
O pensamento deve, a meu entender, residir no facto destes cursos possibilitarem uma escolha efectiva para quem tem um ideia clara do que pretende exercer e não, como José Morgado refere, serem encarados como um "alunão", ou seja, uma espécie de papelão para alunos com pouco espaço na via "mais escolar". Desta forma aumentamos efectivamente a qualificação dos nossos jovens, aumentando as competências profissionais da nossa comunidade.
Falta agora alargar esta oferta à generalidade das escola e acabar com o estigma social que estes cursos enfrentam, criando mecanismo de entrada no ensino superior, caso os alunos assim optem.

Um livro, uma parte da História


Assisti ontem ao lançamento do livro "A Escola Normal de Lisboa e a Formação de Professores - Arquivo, História e Memória", organizado por Joaquim Pintassilgo e Lurdes Serrazina. A sessão decorreu no anfiteatro da Escola Superior de Educação de Lisboa e contou com a presença de António Nóvoa e Fernando Serra.
Da sessão destacam-se vários apontamentos de interesse, mas destacaria aquele em que António Nóvoa problematiza e contextualiza os desafios que se colocam hoje em dia à educação. Uma ideia central da sua participação assentou no reconhecimento que o "ontem" em educação é sempre e incomparavelmente pior do que o hoje (ideia que tenho defendido) por ser, necessariamente, menos pensado, com menos recursos, com menos condições, com menos "saber ensinar". Contrariando assim os saudosistas da "exigência" e do "rigor", para que a escola de "ontem" era melhor, mais eficaz... A verdade é que a escola de "ontem" não era tão pública como é hoje e não o era porque não era para todos, logo, uma escola que não tinha TODOS os alunos não pode, evidentemente, ser comparada com a que temos hoje, onde estão, como devem, TODOS os alunos.
Introduziu aqui o desafio, ou seja, de que forma podem os professores responder à variabilidade garantido uma boa educação para todos. Aqui coloca a pedagogia no centro da problematização, questionando-se/nos de que forma poderemos voltar a introduzir o lugar da pedagogia na discussão sobre a formação de professores. Que saberes, que competências devem os futuros professores possuir para levarem a bom porto a sua tarefa? Onde acaba o conhecimento científico e começa o "saber ensinar", que relação, que equilíbrio procurar?

O Livro é um testemunho histórico do antigo Magistério Primário e assinala de forma muita clara alguns períodos marcantes da sua vida, nomeadamente a transição para a actual Escola Superior de Educação de Lisboa.
Um livro que só folheia, mas que me parece um importante depoimento para todos os que se interessam pela história da educação, pela história que começa na formação de quem vai ensinar.

sábado, 17 de outubro de 2009

Descobriram a pólvora...

Uma análise da escola em Portugal, seja através da sociologia da educação, seja através da recente Administração Escolar, ou ainda, recorrendo à História da Educação, mostra-nos que este é um bem público sujeito às mais diversas mudanças e desafios desde sempre. Nunca houve um período em que a escola pública e o sistema educativo português não estivessem sobre polémica ou análise. A memória é que é curta...
A nossa quase certa ex-ministra da educação vem hoje afirmar que os problemas actuais "não têm paralelo na história da educação".
Na mesma lógica do que referi recentemente sobre a perversidade dos "rankings" das escolas, Maria de Lurdes Rodrigues refere que o alargamento da escolaridade obrigatória ate ao 12 anos implica "ter consciência de quais são as consequências para as escolas e para o trabalho dos professores de estarem na escola, obrigatoriamente, todos os jovens até aos 18 anos”, acrescentando o fundamento da escola pública e um princípio essencial para uma escola de qualidade e inclusiva, ou seja, que as escolas têm de “acolher e integrar todos os jovens, sem excepção, com tudo o que isso significa em termos de heterogeneidade, condições, origens, motivações e expectativas em relação à escola”.
As palavras da Ministra da Educação continuam no mesmo sentido, referindo que “se aceitamos a escolaridade longa, precisamos de aceitar que todos podem aprender e ser ensinados, mesmo os que têm dificuldades ou menos motivação”. De seguida reforça o papel do Estado, que tem a obrigação, sustentou, de "garantir que a escola pública tem e terá todas as condições, todos os recursos humanos e profissionais, todos os recursos físicos e tecnológicos, todos os recursos organizacionais e de gestão para cumprir as metas que hoje lhe atribui”.
A noticia do público finaliza acrescentando que a nossa quase ex-ministra refere que “Não podemos desistir de nenhum dos nossos jovens. Nenhuma criança, adolescente ou jovem pode ser deixado para trás”.
A minha pergunta é, onde esteve esta base ideológica na apresentação do decreto-lei 3/2008 de 6 de Janeiro, ou na insistência absurda num modelo que avaliação de professores que ninguém percebeu e que só conduziu para uma maior fragmentação entre a sociedade civil e os professores e a escola? Onde é que esteve este discurso quando se define a publicação dos resultados das provas e se permitem análises tontas e desprovidas de qualquer rigor científico? Como, expliquem-me, é que é possível, que a mesma pessoa que defende que o estado tem de garantir uma educação de qualidade que responda às necessidades de TODOS os alunos, permite que se dificulte mais o acesso aos apoios especializados?
Não sei se estes serão os maiores e mais difíceis desafios a que a escola pública tem de responder, o que sei é que são os de agora, os de hoje e que comparações com o passado não nos ajudarão, porque estaremos a comparar o incomparável. A escola de há 10 anos não pode, necessariamente, ser a mesma que é hoje e os problemas de então não podem ser comparados com os de hoje, são outros, de natureza diferente e, certamente, com respostas diferentes.
Finalizo perguntando: onde esteve, nos últimos 4 anos, a ministra que ontem discursou? Onde esteve, nos últimos 4 anos, a ministra que permitiu que o secretário de estado decretasse o que decretou com claras reminiscências ideológicas do período em que se candidatou pelo CDS-PP a uma autarquia?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

E se a política fosse um jogo de Xadrez.

São várias as analogias que se poderiam tecer entre a política e um jogo de Xadrez, desde a manipulação dos peões, dando-os "a comer" ao adversário, para não comprometer o objectivo final que é ganhar, passando pela visão estratégica que é necessária para ganhar uma partida de xadrez a um oponente que perceba, pelo menos, o mesmo que nós. Confesso que de xadrez sei muito pouco e que de política só de pensar...
Vejamos, quando estamos perante uma situação de impasse institucional, em que as várias peças do jogo estão comprometidas por uma campanha eleitoral que nada dignificou o debate político, onde tivemos homens e mulheres a gladiarem-se pela douta verdade reivindicando a exclusividade da patente, o resultado do panorama pós-eleitoral não pode ser animador. Acentuaram-se diferenças, cavaram-se fossos e, agravaram-se fissuras sem que se percebe claramente em que raio votou o eleitorado. Se nas propostas efectivas dos partidos, ou se no que os separa do ponto de vista da retórica e nas preferências pessoais que este ou aquele líder suscitam. Por exemplo, qual o impacto das propostas do CDS-PP na escolha que o eleitorado fez? Foram as propostas, ou o desagrado com as sucessivas polémicas que assombram o PSD nos últimos anos, agravadas pelo estranho silêncio de Belém e a ainda mais bizarra gestão do assessor no caso das escutas.
Qual a noção exacta que o eleitorado tem do que significa nacionalizar o sector energético e terminar com todos os benefícios fiscais, como propõe o BE? Foram nestas propostas que o eleitorado votou, ou no descontentamento com a altivez e arrogância de um governo que nunca quis nem soube dialogar?
Terá sigo esta dispersão de votos à direita e à esquerda uma forma de obrigar os partidos a entenderem-se no parlamento para que o país não corra o sério risco de paralisar durante a próxima legislatura?
A verdade é que ninguém poderá afirmar com certeza em que é que os portugueses votaram, porque a certeza das razões do seu voto cabe, exclusivamente, a cada um. Tudo o resto é especulação.
É com na base da especulação e na crença de que o eleitorado votou nas propostas e não nas quezílias pessoais e demagógicas em que a campanha se tornou, que os partidos fazem o jogo que lhes compete, afirmam a sua legitimidade para defenderem as posições e manterem o distanciamento face a uma atitude de compromisso, diálogo e tolerância perante propostas que contribuam para uma efectiva melhoria do país, independentemente do quadrante político de onde possam surgir... mais do que incompatibilidades ideológicas parecem ter-se agravado as incompatibilidades pessoais de egos tão distintos.
Foi aqui que o nosso primeiro ministro indigitado percebeu a oportunidade de aumentar o seu tempo de tolerância face aos momentos difíceis que se advinham no parlamento. Ao perceber que, genuinamente, nenhum partido poderia comprometer-se com uma coligação ou acordos parlamentares de caracter permanente, Sócrates, qual Kasparov, lança os peões que avassaladoramente todos os seus adversários partidos políticos "comeram". Estendeu a mão numa pergunta retórica para a qual já sabia a resposta... Se por um lado no espectro da direita há um não quase total, a esquerda teve uma maior abertura para possíveis entendimentos desde que respondam às necessidades económicas e sociais do país.
Só assim evitaremos que o país paralise, é necessário uma política responsável em que o pensamento dos deputados vá para além das suas "quintas" particulares e os interesses partidários, respondendo com verdade, mérito, ética e responsabilidade cívica ao papel para o qual foram eleitos, melhorar a qualidade de vida dos portuguesas.
E agora, que o jogo foi lançado e as peças coladas de forma clara em cima do tabuleiro, será preciso muito tempo para que a oposição possa de forma convincente argumentar que não tem responsabilidades perante o que vier a suceder. Ou não tivesse Sócrates dito: "Eu responderei pela pergunta que fiz, os partidos assumirão a responsabilidade da resposta que deram".
E é na resposta da esquerda que está uma pequena esperança de entendimentos pontuais, com propostas e políticas que "influenciem a governação" como Louça tem defendido e com "garantias claras de mudança" como espera Jerónimo.
Esperemos que no sentido certo...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Depois das provas, a sequela...

Em Junho último tive oportunidade de escrever sobre a perversidade que as provas de aferição e exames nacionais podem oferecer antes, durante e depois da sua aplicação.
Pois bem, após a aplicação nacional das referidas provas, a verdade é que o impacto e o ruído em torno de cada uma delas é diferente e, naturalmente, oferece análises de natureza variada.
Se por um lado as provas de aferição podem efectivamente cumprir um papel importante na evolução dos conteúdos programáticos das áreas curriculares, sem que explicitamente esteja outra coisa em causa que não seja essa suposta "aferição" (sabemos que implicitamente o que está por trás das provas de aferição são análises de outro tipo, pouco ou nada interessantes para a evolução do nosso ensino básico), os exames do 9º e 12º implicam muito mais, implicam a aprovação ou não dos alunos e, consequentemente, o seu sucesso escolar. As primeiras são provas que "validam" a educação básica, enquanto as segundas condicionam, ou não, o acesso ao ensino superior para quem deseja prosseguir estudos.
A verdade é que a análise sistemática dos resultados de todas estas provas e coisas afins são, em certa medida (numa clara tentativa em ser optimista) deturpados e resvalam para uma espécie de avaliação da qualidade das instituições de ensino. Crença que é tão perigosa como errada, mas validada pela opinião pública.
Desta opinião generalizada e do "alarido" mediático que a comunicação social faz dos resultados, bem como da insistência, por parte do Ministério da Educação, em publicar as "estatísticas" do desempenho dos nossos alunos, nascem os "rankings".
Esta figura que anualmente invade os noticiários bem com os mais diversos órgãos de comunicação social não é mais do que uma tentativa de vender um produto, que neste caso é a Educação. Assim, os melhores classificados abanam a bandeira do mérito e das excelência enquanto os restantes apontam que os indicadores de uma escola de qualidade não podem ser medidos exclusivamente pelos resultados dos seus alunos nos exames (não podia estar mais de acordo, embora no ano seguinte, caso a situação se inverta, também a opinião mude).
Escusado será dizer que são inúmeras as questões de princípio que esta análise descuidada e fortuita dos "rankings" me oferece, mas a principal é a de estarmos, perigosamente a meu ver, "comercializar" um produto que deveria ser gratuito e de qualidade PARA TODOS.
Basta abrir os principais jornais para verificar o que as manchetes nos mostram...
Este tipo de informação destrói a nossa escola pública e faz passar a ideia errada que estas não têm tanta qualidade.
Não é verdade, o que estas têm são TODOS os alunos, sem EXCEPÇÃO, não há qualquer selecção prévia. Ora fazendo um exercício de lógica, facilmente percebemos que uma escola - a pública - que tem a obrigação e o dever de receber todos os alunos (todos os que se portam mal, todos os que têm dificuldades, todos os que vivem em condições de pobreza) como deve e tem de ser não pode ser comparada com as escolas que só recebem quem querem.
Mais me espanta ainda quando se verifica que algumas das escolas que só recebem quem querem se justificam pelos resultados "menos conseguidos" por terem um ou outro aluno com necessidades educativas especiais. Vejamos, quando a realidade é minimamente semelhante à da escola pública os resultados nos exames são piores? O que é que isto nos diz?
Os "rankings" só servem para criar um mercado na educação, uma cultura de privatização assente na ideia errada de que as escolas privadas são melhores do que as públicas. Os resultados até podem ser, mas não é necessariamente por quem lá trabalha é por quem deixam que lá estude...
Esta cultura de mercado que utiliza falsos argumentos, com base em falácias construídas através de comparações do incomparável é um ataque à escola pública e deve ser combatida. Subscrevo a proposta do colega Zé Morgado que defende a criação de um Observatório de Qualidade das Escolas, só assim poderemos olhar com rigor para o que se passa dentro das nossas escolas, só assim poderemos caminhar no sentido de uma escola pública gratuita de qualidade de todos e para todos.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Um olhar sobre as provas de aferição, os exames nacionais e coisas afins...

Tem sido recorrente encontrar na nossa comunicação social reportagens e comentários sobre a maior ou menor facilidade das provas nacionais, sejam elas de aferição ou de caracter sumativo. Parece-me que é estéril manter a discussão de uma matéria tão sensível num patamar tão redutor e, manifestamente insuficiente.
Pode-se discutir a utilidade das provas e a razão de ser das mesmas, mas a verdade é que elas existem e ano após ano os alunos do nosso pais são sujeitos à sua realização sob pena de verem o esforço de um ano reduzido a pouco. Mal ou bem, são nestas provas que os que ambicionam chegar ao ensino superior jogam cartada decisiva, nomeadamente nos exames que funcionam como específicas no acesso ao curso que desejam.
Independentemente do lado perverso que podemos encontrar na realização destas provas, a verdade é que a sua leitura, a sua análise pode trazer informações e dados interessantes sobre a realidade educativa do nosso pais. Mais do que uma análise estatística em que se avançam com as percentagens de alunos que obtiveram positiva ou negativa, ou a apresentação de médias com o intuito de promover os "rankings", este tipo de provas nacionais podem permitir uma análise curricular mais profunda, mais séria.
Desta forma, realizando uma análise qualitativa, verificando que conteúdos do curriculo ou dos programas são colocados em avaliação podemos retirar indicadores preciosos para uma análise da relação entre os objectivos estabelecidos e os resultados obtidos. É redutor associar resultados baixos a provas difíceis e resultados altos a provas fáceis.
O problema é que continuamos muito preocupados na mediatização da escola, na facilidade ou dificuldade das provas, no número de alunos que reprovam, nos "rankings"... A escola, felizmente é muito mais do que isso é enquanto não tivermos um olhar cuidado sobre os indicadores que estes instrumentos nos permitem retirar, continuaremos a cair no erro demagógico de não olhar para o cerne da questão, mas continuarmos com fait-divers que o circo montado em redor da escola nos vai dando.
A preocupação, a meu ver é verificar se as provas têm fidelidade e validade, ou seja, se os seus resultados estão sujeitos a variações externas e se as provas avaliam o que pretendem avaliar.
Só assim, saberemos se os resultados são representativos da realidade nacional, só assim, poderemos produzir conhecimento que nos permita melhorar a escola, só assim poderemos discutir de forma séria, só assim saberemos se se justifica ou não a existência destas figuras nacionais, só assim perceberemos que se a diferença é contemplada na tentativa de homogeneizar, só assim...

domingo, 21 de junho de 2009

Coisas que ouvi

Num sábado passado, enquanto me dirigia à loja de um colega de outro tempos, passei por uma exposição de esculturas em pedra, colocadas no exterior do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Para meu espanto, quando cheguei à loja do meu colega, já não era dele, tinha saído há um mês! Sinais da crise...
Voltei pelo mesmo caminho e enquanto passava novamente pelas esculturas, cruzei-me com um pai e um filho, com não mais de 8 anos.
Pai: "O que achas destas esculturas Pedro?"
Filho: "São bonitas!"
Pai: "São, não São? O que é achas mais bonito nelas?"

Continuei a andar e não consegui ouvir a resposta, nem o resto da conversa...
Vi e ouvi um pai a educar um filho, vi um momento em que o pai proporciona ao filho a possibilidade de se expressar, de reflectir... Vi um momento como poucas vezes tive oportunidade de deslumbrar...

...Uma semana depois, oiço o nosso timoneiro: "Uma das falhas deste governo foi não ter investido mais na cultura!"
Irónico...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Coisas de que me envergonharia I

Cerca de 900 mil portugueses vivem com menos de 10 euros por dia (aproximadamente 10% da população).

Segundo fontes recentes, publicadas na imprensa, os administradores da GALP ganham cerca de 1300 euros... por dia!

EU TINHA VERGONHA, VOCÊS NÃO?!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Agora a sério... É demais!

Tenho estado ausente do meu cantinho, por boas razões, muito trabalho...

Ando ausente da escrita, pelo menos aqui, no blog, mas todos os dias vejo, oiço e comento com os mais próximos as noticias deste nosso canto, cada vez mais isolado e distante do resto do continente.

Tenho sentido um desejo imenso, e gritar bem alto para os políticos destes pais, na sua casa, O PARLAMENTO:
- Eu tinha vergonha... Vocês não?

Não posso, não posso "condicionar de forma alguma o exercício dos políticos, sob pena de condicionar a sua liberdade de decisão". Não posso eu, mas podem os próprios políticos/administradores (aqueles que acumulam cargos administrativos em empresas com relações próximas com o estado, ou seja, bem português "toma lá, dá cá". Sabendo o que todos sabemos, ainda temos de ouvir, em declarações prestadas no parlamento, que a ética não se regulamente e por isso, fica ao critério de cada um avaliar o eventual conflito de interesses que dai pode advir. Sejamos honestos, quando um grande partido toma esta posição, fica mais ou menos claro o que se passa naqueles bastidores...

Mas partindo do principio apresentado pelo deputado que proferiu tão inspiradora declaração, façamos um exercício de reflexão.

Se imaginarmos dois grandes círculos, um o da ética, e o outro o do direito, percebemos que nas sociedades evoluídas, em princípios e valores, quanto maior é o primeiro, menor será o segundo. O direito regulamenta aquilo que é o "mínimo ético" para que todos consigamos viver em sociedade, respeitando a dignidade humana (respeito pela livre escolha do outro). Logo, se uma sociedade é éticamente evoluída, a necessidade de regulamentar tudo deixa de ser tão necessária. Seguramente, não é o caso da nossa classe política!

Por cá, prevalece o "porreirismo pá", em que a troca de cargos públicos por cargos privados e vice-versa se faz tão levianamente como trocamos de camisa ou roupa interior, ou seja, sem pestanejar. Então se sabemos que é assim, das duas uma, ou assumimos que não somos suficientemente éticamente evoluídos e regulamentos para de uma vez por todas acabar com dúvidas e especulações, ou assumimos que não temos vergonha na cara e, em vez de dizer, "a ética" não se regulamente, dizemos "nós por cá gostamos de tachos e se podermos continuar a encher-nos à custa de voces contribuintes, continuamos a fazê-lo". Sempre e com elevado sentido de estado e ético, está claro...

Agora a sério... Eu tinha vergonha, vocês não?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Avaliação de professores

Foi hoje aprovado o diploma que define os critérios de avaliação dos professores.

Em linhas gerais a ministra referiu as dimensões que serão consideradas e os intervenientes no processo. Ficam por esclarecer os critérios e os objectivos ultimos desta importante ferramenta de qualidade e regulação.

Contudo, o potencial desta avaliação fica muito reduzido se olharmos para os resultados para decidirmos se e como os professores podem prosseguir na carreira.

Desconheço ainda a totalidade do diploma, mas assim que estiver disponivel, vou procurar estar atento!

Vejamos o que sai...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Eles é que sabem I

“Qualquer idiota é capaz de fazer as coisas maiores, mais complexas, e mais violentas. É preciso génio – e muita coragem – para caminhar na direcção contrária.”

Albert Einstein, cientista (1879-1955)

domingo, 21 de outubro de 2007

Estás morto, estás morto!

Num fim-de-semana em que fui "brincar" às guerras, a frase que mais se ouviu nos diversos cenários é a que aparece no titulo deste post.

Soltamos as "feras" que temos dentro de nós e, de forma controlada, deixamos que a agressividade seja posta de forma competitiva contra um conjunto de pessoas que têm o mesmo objectivo, vencer a todo o custo e controlar o "inimigo".

Durante um desses "combates" ocorreu-me que de facto a adrenalina é alta e a emotividade também, mas como será discutir uma estratégia sabendo que se corre o risco de levar com uma bola real, das que fazem sangue e matam...

Enfim, depois de atingidos com a bala de tinta, levantamos a aula e dizemos de pronto: - Estou morto!

A partir deste momento deixamos de ser alvos e calmamente abandonamos o cenário até o próximo "combate" começar.

Ao senhores da guerra deixo a sugestão, joguem paintball que a coisa resolve-se...

sábado, 29 de setembro de 2007

Quando um ciclo acaba...

Tenho por hábito considerar que ninguém é insubstituivel nas funções que ocupa ou desempenha. Algures, num Universo tão extenso e vasto de profissionais desempregrados, existirá outra pessoa com capacidade de levar o barco a bom porto, seja que barco for.

Termina um ciclo de ano e meio em que as alegrias foram mais intensas e genuinas que as tristezas, foi um ano e meio em que, lado a lado com mães e filhos, construiram-se projectos de vida e finais felizes...

Foi um ano e meio em que cresci, vi crescer e vivi, sem a menor dúvida, a vida de 16 extraordinárias crianças com tanto amor e carinho como o que um "técnico" pode dedicar e investir no seu trabalho...

Fica a memória das pessoas, algumas, e a saudade dos sorrisos, os sorrisos que fazem valer a pena, os sorrisos daquelas mesmas extraordinárias crianças com quem privei, dia e noite.

Termina um ciclo... inicia-se outro!

São as leis da vida...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Momentos...

Hoje, um miudo perguntou:
- Quando eras mais novo fazias muitos disparates?
Eu sorri e repondi:
- Alguns, mas, não muitos!
Ao que ele prontamente acrescentou:
- Ias para o quarto jogar PSP ou para a Internet às escondidas?
Voltei a sorrir, agora com maior vigor, e disse-lhe:
- Então, fazia muitos disparates... só que de outra natureza!

O puto, sem perceber o que lhe acabara de responder, abanou a cabeça e pirou-se para junto dos colegas jogar... PSP!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O meu trabalho!

O meu trabalho é desgastante, cansativo e violento...
O meu trabalho requer disponibilidade, vontade e crer...
O meu trabalho implica sinceridade, integridade, respeito e caracter...
O meu trabalho não implica o senso comum...
O meu trabalho implica estudo...
O meu trabalho depende de uma equipa, da sua organica e complementariedade...


O meu trabalho, todos os dias, vale mil sorrisos...

O "deles" e o meu...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Na Alemanha...

... os pequenos almoços são muito bons...
... os almoços e jantares são muito caros...
... a água é com gás, sem gás só na torneira ou por muitos euros...
... a língua é muito dificil...
... as pessoas não são todas loiras, ou altas, ou com olhos azuis...
... algumas pessoas são muito simpáticas...
... não são todos "nazis"...
... são excessivamente organizados, mas...

... OS COMBOIOS CHEGAM ATRASADOS!

domingo, 19 de agosto de 2007

Educares

Começou por ser um projecto, que em pouco tempo se transformou numa Fundação de nome EDUCAR. A ideia não pegou...

Não tínhamos recursos materiais, financeiros, humanos, fossem quais fossem... Tínhamos só a vontade de fazer alguma coisa pelo estado das coisas, algo significativo, nosso!

Entrámos em estágio, uma semana no tranquilo Algarve de Abril, definimos prioridades, estratégias e projectos.

Do EDUCAR, foi um pulo até ao EDUCARES, que se instalou provisoriamente até algo melhor surgir. A Fundação, gentilmente, deu lugar a um centro particular, que mais tarde, muito mais tarde se viria a chamar Centro de Intervenção Educativa para a Criança, a Família e a Escola.

Faltava um símbolo, pedimos ajuda e... voilá, a Educares é mais Educares porque já tem um rosto! Um belo rosto.

Entretanto o carácter provisório do nome EDUCARES, torna-se definitivo!

Faltava-nos um espaço, uma sede física onde a Educares ganhasse corpo... mas, para quê? A nossa forma de estar diz-nos que tanto melhor é a intervenção quanto mais se centrar nos diferentes contextos e não no indivíduo.

Vamos então criar uma morada, um espaço na Internet, onde todos os que nos quiserem encontrar o possam fazer à distância de um clique... Estamos em www.educares.com.pt.

Ganhamos cada vez mais forma, força e vontade...

Nasce a Educares, que a partir de Setembro começa a trabalhar como todos aqueles que a procurarem, in loco, nos diferentes contextos, de forma integrada e multidisciplinar.

Procurem-nos!

Sitios de cá...














(Foto by t. 07. Ago. 2007, Aveiro)