domingo, 21 de junho de 2009

Coisas que ouvi

Num sábado passado, enquanto me dirigia à loja de um colega de outro tempos, passei por uma exposição de esculturas em pedra, colocadas no exterior do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Para meu espanto, quando cheguei à loja do meu colega, já não era dele, tinha saído há um mês! Sinais da crise...
Voltei pelo mesmo caminho e enquanto passava novamente pelas esculturas, cruzei-me com um pai e um filho, com não mais de 8 anos.
Pai: "O que achas destas esculturas Pedro?"
Filho: "São bonitas!"
Pai: "São, não São? O que é achas mais bonito nelas?"

Continuei a andar e não consegui ouvir a resposta, nem o resto da conversa...
Vi e ouvi um pai a educar um filho, vi um momento em que o pai proporciona ao filho a possibilidade de se expressar, de reflectir... Vi um momento como poucas vezes tive oportunidade de deslumbrar...

...Uma semana depois, oiço o nosso timoneiro: "Uma das falhas deste governo foi não ter investido mais na cultura!"
Irónico...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Coisas de que me envergonharia I

Cerca de 900 mil portugueses vivem com menos de 10 euros por dia (aproximadamente 10% da população).

Segundo fontes recentes, publicadas na imprensa, os administradores da GALP ganham cerca de 1300 euros... por dia!

EU TINHA VERGONHA, VOCÊS NÃO?!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Agora a sério... É demais!

Tenho estado ausente do meu cantinho, por boas razões, muito trabalho...

Ando ausente da escrita, pelo menos aqui, no blog, mas todos os dias vejo, oiço e comento com os mais próximos as noticias deste nosso canto, cada vez mais isolado e distante do resto do continente.

Tenho sentido um desejo imenso, e gritar bem alto para os políticos destes pais, na sua casa, O PARLAMENTO:
- Eu tinha vergonha... Vocês não?

Não posso, não posso "condicionar de forma alguma o exercício dos políticos, sob pena de condicionar a sua liberdade de decisão". Não posso eu, mas podem os próprios políticos/administradores (aqueles que acumulam cargos administrativos em empresas com relações próximas com o estado, ou seja, bem português "toma lá, dá cá". Sabendo o que todos sabemos, ainda temos de ouvir, em declarações prestadas no parlamento, que a ética não se regulamente e por isso, fica ao critério de cada um avaliar o eventual conflito de interesses que dai pode advir. Sejamos honestos, quando um grande partido toma esta posição, fica mais ou menos claro o que se passa naqueles bastidores...

Mas partindo do principio apresentado pelo deputado que proferiu tão inspiradora declaração, façamos um exercício de reflexão.

Se imaginarmos dois grandes círculos, um o da ética, e o outro o do direito, percebemos que nas sociedades evoluídas, em princípios e valores, quanto maior é o primeiro, menor será o segundo. O direito regulamenta aquilo que é o "mínimo ético" para que todos consigamos viver em sociedade, respeitando a dignidade humana (respeito pela livre escolha do outro). Logo, se uma sociedade é éticamente evoluída, a necessidade de regulamentar tudo deixa de ser tão necessária. Seguramente, não é o caso da nossa classe política!

Por cá, prevalece o "porreirismo pá", em que a troca de cargos públicos por cargos privados e vice-versa se faz tão levianamente como trocamos de camisa ou roupa interior, ou seja, sem pestanejar. Então se sabemos que é assim, das duas uma, ou assumimos que não somos suficientemente éticamente evoluídos e regulamentos para de uma vez por todas acabar com dúvidas e especulações, ou assumimos que não temos vergonha na cara e, em vez de dizer, "a ética" não se regulamente, dizemos "nós por cá gostamos de tachos e se podermos continuar a encher-nos à custa de voces contribuintes, continuamos a fazê-lo". Sempre e com elevado sentido de estado e ético, está claro...

Agora a sério... Eu tinha vergonha, vocês não?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Avaliação de professores

Foi hoje aprovado o diploma que define os critérios de avaliação dos professores.

Em linhas gerais a ministra referiu as dimensões que serão consideradas e os intervenientes no processo. Ficam por esclarecer os critérios e os objectivos ultimos desta importante ferramenta de qualidade e regulação.

Contudo, o potencial desta avaliação fica muito reduzido se olharmos para os resultados para decidirmos se e como os professores podem prosseguir na carreira.

Desconheço ainda a totalidade do diploma, mas assim que estiver disponivel, vou procurar estar atento!

Vejamos o que sai...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Eles é que sabem I

“Qualquer idiota é capaz de fazer as coisas maiores, mais complexas, e mais violentas. É preciso génio – e muita coragem – para caminhar na direcção contrária.”

Albert Einstein, cientista (1879-1955)

domingo, 21 de outubro de 2007

Estás morto, estás morto!

Num fim-de-semana em que fui "brincar" às guerras, a frase que mais se ouviu nos diversos cenários é a que aparece no titulo deste post.

Soltamos as "feras" que temos dentro de nós e, de forma controlada, deixamos que a agressividade seja posta de forma competitiva contra um conjunto de pessoas que têm o mesmo objectivo, vencer a todo o custo e controlar o "inimigo".

Durante um desses "combates" ocorreu-me que de facto a adrenalina é alta e a emotividade também, mas como será discutir uma estratégia sabendo que se corre o risco de levar com uma bola real, das que fazem sangue e matam...

Enfim, depois de atingidos com a bala de tinta, levantamos a aula e dizemos de pronto: - Estou morto!

A partir deste momento deixamos de ser alvos e calmamente abandonamos o cenário até o próximo "combate" começar.

Ao senhores da guerra deixo a sugestão, joguem paintball que a coisa resolve-se...

sábado, 29 de setembro de 2007

Quando um ciclo acaba...

Tenho por hábito considerar que ninguém é insubstituivel nas funções que ocupa ou desempenha. Algures, num Universo tão extenso e vasto de profissionais desempregrados, existirá outra pessoa com capacidade de levar o barco a bom porto, seja que barco for.

Termina um ciclo de ano e meio em que as alegrias foram mais intensas e genuinas que as tristezas, foi um ano e meio em que, lado a lado com mães e filhos, construiram-se projectos de vida e finais felizes...

Foi um ano e meio em que cresci, vi crescer e vivi, sem a menor dúvida, a vida de 16 extraordinárias crianças com tanto amor e carinho como o que um "técnico" pode dedicar e investir no seu trabalho...

Fica a memória das pessoas, algumas, e a saudade dos sorrisos, os sorrisos que fazem valer a pena, os sorrisos daquelas mesmas extraordinárias crianças com quem privei, dia e noite.

Termina um ciclo... inicia-se outro!

São as leis da vida...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Momentos...

Hoje, um miudo perguntou:
- Quando eras mais novo fazias muitos disparates?
Eu sorri e repondi:
- Alguns, mas, não muitos!
Ao que ele prontamente acrescentou:
- Ias para o quarto jogar PSP ou para a Internet às escondidas?
Voltei a sorrir, agora com maior vigor, e disse-lhe:
- Então, fazia muitos disparates... só que de outra natureza!

O puto, sem perceber o que lhe acabara de responder, abanou a cabeça e pirou-se para junto dos colegas jogar... PSP!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O meu trabalho!

O meu trabalho é desgastante, cansativo e violento...
O meu trabalho requer disponibilidade, vontade e crer...
O meu trabalho implica sinceridade, integridade, respeito e caracter...
O meu trabalho não implica o senso comum...
O meu trabalho implica estudo...
O meu trabalho depende de uma equipa, da sua organica e complementariedade...


O meu trabalho, todos os dias, vale mil sorrisos...

O "deles" e o meu...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Na Alemanha...

... os pequenos almoços são muito bons...
... os almoços e jantares são muito caros...
... a água é com gás, sem gás só na torneira ou por muitos euros...
... a língua é muito dificil...
... as pessoas não são todas loiras, ou altas, ou com olhos azuis...
... algumas pessoas são muito simpáticas...
... não são todos "nazis"...
... são excessivamente organizados, mas...

... OS COMBOIOS CHEGAM ATRASADOS!

domingo, 19 de agosto de 2007

Educares

Começou por ser um projecto, que em pouco tempo se transformou numa Fundação de nome EDUCAR. A ideia não pegou...

Não tínhamos recursos materiais, financeiros, humanos, fossem quais fossem... Tínhamos só a vontade de fazer alguma coisa pelo estado das coisas, algo significativo, nosso!

Entrámos em estágio, uma semana no tranquilo Algarve de Abril, definimos prioridades, estratégias e projectos.

Do EDUCAR, foi um pulo até ao EDUCARES, que se instalou provisoriamente até algo melhor surgir. A Fundação, gentilmente, deu lugar a um centro particular, que mais tarde, muito mais tarde se viria a chamar Centro de Intervenção Educativa para a Criança, a Família e a Escola.

Faltava um símbolo, pedimos ajuda e... voilá, a Educares é mais Educares porque já tem um rosto! Um belo rosto.

Entretanto o carácter provisório do nome EDUCARES, torna-se definitivo!

Faltava-nos um espaço, uma sede física onde a Educares ganhasse corpo... mas, para quê? A nossa forma de estar diz-nos que tanto melhor é a intervenção quanto mais se centrar nos diferentes contextos e não no indivíduo.

Vamos então criar uma morada, um espaço na Internet, onde todos os que nos quiserem encontrar o possam fazer à distância de um clique... Estamos em www.educares.com.pt.

Ganhamos cada vez mais forma, força e vontade...

Nasce a Educares, que a partir de Setembro começa a trabalhar como todos aqueles que a procurarem, in loco, nos diferentes contextos, de forma integrada e multidisciplinar.

Procurem-nos!

Sitios de cá...














(Foto by t. 07. Ago. 2007, Aveiro)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O Urinol do Duchamp

Estive a pensar nos grandes acontecimentos que marcaram a história da humanidade, tanto pela sua singulariedade, como pelo su impacto. Momentos que alteraram ou influenciaram significativamente a forma de pensar e estar em sociedade.



Incontornavelmente fui dar ao urinol do Duchamp...

domingo, 10 de junho de 2007

Os interesses (meus)...

As ciências que estudam o homem, que procuram respoder a questões relacionadas com o seu funcionamento social, psicológico e fisico são poucas, ou, raras vezes intergradas umas nas/com as outras. Antes, assumem-se como subdisciplinas de um mesmo objecto - o homem - que nunca se tocam. Permanecem em pequenas ilhas de conhecimento que criam com base em alicerces que poucas vezes aparecem citados. São criadas "linguagens" tão diferentes e distintas que impossibilitam a intercomunicação entre os campos.

A meu ver, o homem assume-se como objecto de estudo na sua totalidade e, embora seja importante estudá-lo e compreendê-lo nas mais diversas dimensões, é fundamental contruir e pensar um modelo que lhe dê unidade, que relacione as diferentes dimensões e nos dê uma compreensão alargada da sua relação. O todo é diferente da soma das partes...

Compreender o homem no seu contexto e analisá-lo na sua individualidade, quer como individuo, quer como especie, dará, indubitavelmente, uma leitura mais correcta do que fomos, do que somos e do que puderemos ser...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Há quem diga...

Tenho amigos que dizem que uma vez gay para sempre gay!

Eu digo que uma vez de mota, para sempre de mota!

É a L O U C U R A !!!!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

As provas de aferição

Não há muito tempo, em conversa com uma professora "aferidora", ouvi alguns lamentos e tormentos que vão na alma dos professores, pelo menos dos professores que pertencem ao seu grupo de trabalho...

A primeira pergunta, desde logo muito pertinente, foi: Mas estas provas servem para aferir o quê? Viu as provas? Aquilo não tinha jeito nenhum... Sorri e, humildemente, respondi-lhe com o meu silêncio.

A sua preocupação, legitima por sinal, é que pelo que havia percebido nas diversas reuniões de grupo, juntamente com o supervisor, esse ser misterioso que supervisiona, certamente por ter larga experiencia na aplicação destas provas, as discussões em torno dos critérios de correção das provas revelaram-se inuteis e tremendamente subjectivas. Segundo essa professora, o problema é que os ditos critérios são muito subjectivo e dependem da individualidade de cada corrector (é que os miudos são todos iguais! Ou não?). Para acrescentar à dificuldade da subjectividade interindividual, há ainda o grande problema na variabilidade de critérios que conduzem a uma enorme confusão, é que, segundo ela, as coisas deviam ser divididas em a) sabe, b) sabe mais ou menos e c) não sabe. Ao que parece os códigos são tantos que tudo, mas mesmo tudo é considerado, ou seja, um aluno que não faça a minima ideia do que está a responder ou fazer, pelo simples facto de escrever alguma coisa já leva um pontinho... de pontinho a pontinho lá vai a galinha enchendo o papo!

Eu pergunto-me: Quem é que nós pretendemos enganar? Tantos recursos gastos, sem se saber bem porquê nem para quê... Nem é tanto pelos miudos, mas sim pelos professores que já têm tão pouco tempo para estar com os seus alunos, para poderem diferenciar o seu trabalho, que ainda lhes tiram mais um bocadinho... E claro, as árvores, é que para imprimir tanto papel foi preciso muito abate de árvores. Se ainda fosse reciclado... Ai a minha visicula...

O Carlos Paião é que tinha razão, "reclamar faz mal à visicula", mas calar não me calo...

O "novo" conceito de Invoção e Qualidade

Ontem, enquanto me deslocava de carro, tive oportunidade de acompanhar o debate mensal com o sr. primeiro ministro no parlamento. O tema escolhido foi o do acesso à inovação e tecnologias por parte de todos aqueles que se encontram em formação.

Sucintamente, foi apresentado que estudantes, professores e trabalhadores em formação no porgrama novas oportunidades terão acesso a computadores portateis e internet em condições muito vantajosas. Computadores até 150 euros para todos, consoante o escalão a que pertençam e internet até 5 euros mais barata, também midiante o escalão a que pertençam. Aplaudo a medida, mas...

Não sei se valerá a pena acrescentar muito mais, e certo de que a medida de proporcionar que estudantes, professores e trabalhadores no programa novas oportunidades, tenham acesso a computadores portateis e à internet em condições vantajosas é uma boa medida, só questiono... Será que é essa a prioridade na nossa educação? Não existirão outros temas e outras carencias que merecerão um investimento semelhante ao que vai ser feito? O que acrescenta na realidade este medida à qualidade do nosso ensino, da nossa educação? Ai este umbigos..

quarta-feira, 30 de maio de 2007

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Coisa que gostava de ser...

Algo que me satisfaz é olhar para o meu percurso e sentir que teria tirado exactamente a mesma licenciatura, exactamente na mesma faculdade. Adoro a minha segunda casa...

Posto isto pus-me a pensar no que eu gostava de ser nas opções que a minha formação me possibilita. Uma vez perguntaram-me: "O que é que te imaginas a fazer daqui a 10 anos?". Desta fez ninguem me perguntou, mas eu pensei no que eu gostaria de fazer daqui a já alguns aninhos...

Gostava de ser professor, um bom professor...
Gostava de ser investigador, um bom investigador...
Gostava de saber muito...
Gostava de continuar a fazer o que faço... trabalhar com miudos, pais e "escolas"...

Em todas elas, o que eu gostava mesmo era de marcar a diferença, a chamada diferença pela "positiva"...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Quando nos "puxam" as orelhas

Hoje "puxaram-me" as orelhas, não doeu, mas custou...

Não gosto de falhar por "maçariquice"...

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Era uma vez...

No meu trabalho, ou pelo menos num dos meus trabalhos, tenho a oportunidade de acompanhar de perto o crescimento e desenvolvimento de 12 crianças cuja sorte lhes foi madrasta e que pouco a pouco lá vão recuperando a esperança de um projecto de vida que lhes devolva a tranquilidade necessária para crescerem, para "serem".

De todos os momentos do dia, entre o levantar, o lanche, os trabalhos de casa, a brincadeira e o deitar, o último é aquele de que gosto mais. É ao deitar que os fantasmas se vão embora e dão lugar ao sonho, ao sonho que é acompanhado por uma história e outra e mais outra... Dou-lhes a fantasia para "viverem" uma outra história, que pode muito bem vir a ser deles. Os corpos agitados dão lugar a uma respiração profunda e a um pestanejar cada vez mais lento, mais pesado... Embalam na fantasia que lhe deixo à porta...

terça-feira, 1 de maio de 2007

As "chouriças" da avó Alice

Em meados do mês de Novembro conheci a avó Alice... Uma avó tipica do interior, com muitas histórias, malandrices e marcas visiveis do envelhecimento que já pesam, mas não muito.

Como boa transmontana que é, a avó Alice sabe de tudo um pouco relativamente aos saberes da "terra", aos saberes de quem lavrou a terra. Certo dia, já não me lembro a que propósito, começámos a falar de animais, de como se cuidam dos animais. Descobri então que também sabe de tudo um pouco sobre animais...

Dos animais à comida foi um pulo, desde os "milhos" até às "cascas", falámos de tudo (que bem que sabem os "milhos" e as "cascas").

Hoje em dia já não falamos de tudo, o tema das nossas conoversas é quase sempre em torno das alheiras e como fazê-las em terras de cá, aproventando a sua presença em Lisboa. Ao que parece o processo de preparação e "montagem" de uma alheira é vasto e complexo (como quase todos os processos). Fiquei a saber, entre outras coisas, que as alheiras em Trás-os-Montes são feitas com sebas (porco gordo pronto a ser sebado) e que se utilizam as parte do bucho (dificil explicar), courato e pescoço do já mencionado bicho, entre outras coisas.

A avó Alice não vira cara ao trabalho, mas oferece sempre algumas resistências à execução do meu plano para a manufactura das alheiras. A primeira prende-se com a seba, ou seja, onde é que eu arranjo um porco(a) sebado e pronto a utilizar para as alheiras. Disse-lhe que ia a um talho, mas parece que não é a mesma coisa. Mesmo tendo a seba, parece que continuavam a faltar as tripas para encher com o a carne da alheira. Disse-lhe que também ia a um talho. O próximo obstáculo, para além da seba e da tripa seria arranjar um enorme alguidar onde pudessemos fazer a mistura de todos os ingredientes e mais um espaço onde as pudessemos secar... Arranjei-lhe uma garagem (não a minha) e um braseiro (também de outra pessoa) para as secar... mas, mesmo assim, não a consegui convencer!

Ainda não desisti de fazer as ditas alheiras em Lisboa, mas já me consola o convite para as fazer por altura de Novembro/Dezembro em terras transmontanas, onde a avó Alice me ofereceu 15 dias de estadia para as fazer...

domingo, 29 de abril de 2007

Em Santa Comba...

... ou se tem memória curta...
... ou se está muito mal com a vida...
... ou por principio amam-se os filhos da terra...

Eu acho que é de desconfiar...

terça-feira, 24 de abril de 2007

O Verão e os cheiros...

Ontem, enquanto saía do meu local de trabalho, pela 20h30m, fui invadido pelo cheiro de erva seca caracteristico do tempo quente. Ao cheiro juntou-se uma brisa primaveril e eu reconfortei-me com um sorriso... Que bem que soube!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

"Portuguesices" e outras coisas mais

Recentemente, na livraria da Faculdade onde tive o previlégio de estudar na minha formação inicial e onde agora continuo a percorrer o caminho para me tornar, cada vez mais, "mais" e melhor profissional, encontrei um livro que logo me despertou curiosidade e vontade de ler.

Aproveitando o facto de, na altura, ir fazer uma viagem longa de comboio até à Guarda não hesitei em comprá-lo e levá-lo para uma leitura que esperava divertida. É verdade que não li tanto como desejava na viagem, debrucei-me antes sobre a actualidade do pais, que, invariavelmente, falava do já intitulado "caso sócrates". Li os signos, para ver a minha sorte no evento que se advinhava e só depois comecei a ler o tal livro que decidi comprar e levar comigo de viagem.

Belo prefácio escrito por Augusto Reis Machado, até então desconhecido, que faz uma bela e suculenta reflexão sobre o facto natural e o facto histórico. Enquadra a experiência como confirmação da suposição que passa a ser real quando experenciada e diz-nos ainda que como as experiências são variaveis, também são variaveis os seus produtos, ou seja, o conhecimento que da experiencia retiramos. Então, tudo isto confere ao conhecimento uma dimensão mutável e variavel. Deliciosa a descrição...

Mas tudo isto para nos explicar a especificidade do facto histórico e o porquê ser tão dificil dizer o que é verdade, o que é mentira e o que é fantasia quando de história falamos. O livro é, obviamente, sobre história... Mais precisamente sobre uma pedaço de história, sobre o século XVIII português e é escrito originalmente por um oficial britânico que naquele periodo esteve ao serviço de Portugal.

O que o livro tem de valioso, se formos capazes de olhar para a sociedade actual e brincarmos um pouco com os nossos "vicios" e "defeitos", é que mostra pelos olhos de um forasteiro a cultura portuguesa em traços que ainda hoje se reconhecem na forma como nos organizamos. É por vezes brutal a forma como são descritos alguns comportamentos, chega mesmo a ser insultuoso a forma como são escritos alguns traços do nosso povo, mas vale mesmo a pena...

Eu li-o e apreciei bastante o retrato social feito pelo oficial, não tanto por acreditar no que é descrito, mas por me identificar com alguma da sua história, por me fazer sentir português e, acima de tudo, fazer-me pensar e rir na nossa sociedade e nos nossso costumes... Por ser um olhar critico, um olhar visto de cá, por alguém que vem de fora...

O livro é de Arthur William Costigan e chama-se "RETRATOS DE PORTUGAL - Sociedade e costumes".

domingo, 8 de abril de 2007

Pensar as instituições II

É relativamente unanime e consensual a ideia de que os pais estão cada vez mais necessitados de ajuda na dificil tarefa que a educação das crianças representa nos tempos que correm. Não por manifesta malvadez das crianças ou incompetência dos projenitores, mas por causa das circunstâncias que contribuem para que as crianças pareçam mais malvadas e os pais mais incompetentes.

Se 99,99% dos miudos não são efectivamente maus miudos e se, por outro lado, 99,99% dos pais não são de facto maus pais, como é que se entende este fenómeno crescente de indisciplina nas escolas e familias? Como se justifica que filhos ditem regras em casa e pais sejam subjugados às tiranias de crianças de 2 anos? Como entender que crianças de estatura "minimal" levantem a mão aos pais e imponham a sua força?

Não sei se conseguimos encontrar soluções e respostas "standard" para este problema que, de facto, afecta com um vigor crescente a forma como a sociedade se organiza e se pensa. Os pais estão realmente perdidos na ambiguidade que se criou em torno da fronteira entre disciplina e ausência desta. Os limites, ou a noção de limite está disturcida, os pais não reconhecem o que é esperado ou não que as crianças façam. A escola não sabe como dizer aos pais que os limites começam em casa e demite-se do seu papel, o papel de educadora.

Não se percebe onde, nem quando, mas, erradamente, passou-se a mensagem de que é errado frustar as nossas crianças, que o não é prejudicial ao seu desenvolvimento e, mais grave, que o choro é um fenómeno contra-natura. Os efeitos, ou consequências, do impacto que uma birra provoca numa familia são devastadores - pais desorientados, crianças a gritar e... birras satifeitas, crianças silenciadas até à próxima, até ao próximo "eu quero!".

É evidente que a estrutura familiar mudou, os filhos "exigem" os ténis de marca, os pais envolvidos nas suas tarefas laborais perdem o tempo de qualidade e esquecem-se da importancia dos momentos a sós com as crianças, dos momentos de partilha, da leitura de histórias, do brincar. Muitas vezes absorvidos por um sentimento de culpa, os pais acabam por comprar os seus filhos, sem se aperceberem que os juros serão altos, demasiados altos para que possam continuar a atenuar a sua culpa satisfazendo os caprichos das crianças.

Tudo isto origina uma falta de critérios na maneira como se educam as nossas crianças, existe um sistemático empurrar de responsabilidades entre as instituições educativas e a "instituição" familia. A escola atribui às familas a responsabilidade pelos "defeitos" dos seus novos utentes e as familias culpam as escolas pela incapacidade que estas têm em resolver e remendar os "defeitos" dos seus filhos. Neste jogo de ping-pong, quais jogadores chineses, as crianças continuam a pedir ajuda, a pedir que alguém ou alguma coisa os contenha, lhes mostre um mundo organizado e com rotinas, um mundo em que existe espaço para ser criança, para crescer dentro de limites e onde os valores, direitos e deveres surgem de forma estruturada pela naturalidade do seu desenvolvimento.

Como tive oportunidade de referir recentemente, privar as crianças de uma educução de qualidade nos mais diversos contextos educativos é expô-las a uma forma preversa de maus-tratos, permitindo que as crianças se desenvolvam em pequenos ditadores, adolescentes delinquentes e mais tarde adultos incapazes de resitir às contrariedade e frustações que a vida em sociedade acarreta. Privar as crianças de estratégias resilientes é torná-las em pequenos tiranos senhores das suas vidas e das vidas alheias.

Sabe-se que quanto mais precoces forem os comportamentos de oposição e desafio maior é a probabilidade do comportamento anti-social se tornar crónico. Na mesma lógica, quanto mais precoce for a intervenção, maior a probabilidade de prevenir esses comportamentos. É importante que se reconheça esta dificuldade que a sociedade tem em lidar com estas crianças e perceba que os problemas de indisciplina deixaram, há muito tempo, de ser exclusivos de ambientes sociais desfavorecidos e, que pelo contrário, assumem contornos preocupantes em toda a nossa sociedade.

Não é suficiente intervir no sentido de melhorar exclusivamente as competências das crianças, ou dos pais, ou dos educadores, é fundamental que todas os contextos se envolvam na resolução deste problema, procurando melhorar práticas e oferecer melhores respostas...

As crianças agradecem...

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Uma crise de identidade(s)?

Não há muito tempo, num daqueles dias quentes e solarengos de Março, fui almoçar a Lisboa, ao seu coração. Tive oportunidade de deambular, depois de uma bela refeição com o tejo como pano de fundo e a companhia de uma amiga de longa data, pelas ruas da baixa, chiado e do velhinho bairro alto.

Habituado ao cenário destes mesmo lugares durante a noite fiquei a pensar na espantosa diferença que se encontra na forma como as pessoas, as mesmas e outras que durante a noite animam Lisboa, se fazem mostrar.

O próprio bairro alto, local onde tantas e diversas identidades se encontram, tranforma-se numa clara afirmação do lugar comum que nos refere a mundança do dia para a noite. Os bares e a gentes que deambulam pelas ruas dão lugar a uma variedade de lojas e espaços lounche onde vestuário e penteados se cruzam, onde comprar roupa e lanchar acontece num mesmo lugar, onde a diversidade da oferta é tanta como a diversidade de quem procura.

Ao entrar numa dessas lojas deparei-me com um imenso conjunto de objectos que pareciam retirados de uma tempo antigo, associados a uma expressão cultural especifica, a uma história. Roupas, sapatos, penteados, maneirismos e expressões que viveram noutros tempos. A estravagância com que as diferentes expressões se misturam, tocam, cruzam num tempo tão global e diverso é absolutamente deliciosa.

Para além da diversidade dos serviços, também os conteudos, as formas nos fazem viajar até outras decadas, não uma especifica, mas várias misturadas num século que agora começa. Dizem-me que é o natural movimento ciclico das coisas, que é a reciclagem que de tempos em tempos fazemos do bau das recordações para reviver num tempo presente excessos e histórias de um tempo passado.

Mas eu questiono-me, será?

Questiono se este pluralismo de formas e conteudos de outra hora se devem, por um lado, à abertura do mundo a uma globalização que faz a informação, conteudos e histórias de hoje se misturem com a informação, conteudos e histórias de outros tempos, ou se, por outro, esta diversidade, esta "aculturação" não é mais do que o resultado de uma vazio ideológico, de uma falta de identidade que nos leva a procurar referências antigas e distantes...

Referências que nos faltam...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Pensar as Instituições

Vivemos tempos contorbados e de dificeis definições nos diversos campos de intervenção educativa. Num periodo em que os sinais do Governo são inequivocamente contorversos e por vezes incoerentes e contradiórios no que diz respeito à educação, as crianças, para quem deviam ser pensadas as escolas e outros serviços educativos, estão cada vez mais sós e isoladas nas batalhas e dificuldades que se lhes deparam.

A realidade de quem educa é diferente de quem decide.
A realidade de quem decide é diferente de quem estuda.
A realidade das crianças é a que menos conta neste processo de sistemáticos equivocos...

Cair na crítica fácil pode ser uma tendência de quem vive e procura, com humildade, pensar a "nossa" educação. Igualmente, pode-se cair na terrivel asneira de culpabilizar indiferenciadamente os agentes educativos através de atribuições externas de responsabilidades. Aceitamos a paixão que o tema suscita e afastamo-nos de uma postura que deveria receber das nossas Universidades o que elas produzem, em termos de "saber", e continuamos a cometer os erros que os outros, antes de nós, já cometeram. Mais grave é continuarmos a incorrer nos mesmos erros (repito: que outros já cometeram) sob a desculpa de serem erros normais do percurso essencial da nossa eternamente jovem democracia. A verdade é que já não é assim tão jovem...

Diz-nos a psicologia que a capacidade de aprender com os erros, sejam nossos, ou de outros é uma sinal inequivoco de intelingência, talvez seja a adapatação de que Piaget nos fala e que os étologos reforçam. Mas de adaptação vê-se pouco...

Ao afastarmos-nos do "pensar", "diferenciar", "equilibrar", aproximamo-nos do "racionalizar", "racionar", "cortar", afastamo-nos da qualidade a que uma "cultura de criança" nos exige e aproximamo-nos da indiferença pelo que fazemos do nosso futuro.

A sociedade é vitima de sistemáticas e violentas mudanças que não só nos afectam diariamente como se dão a um ritmo fernético e avassalador. A flexibilidades das nossas estruturas é escassa e perante tamanha exigência que o ritmo da modernidade nos coloca, são grande as dificuldades para não colapsarem.

É importante que os educadores se pensem e recoloquem perante as dificuldades, que garantam às nossas crianças um educação de qualidade, respeitando as dificuldades que os ritmos de hoje nos colocam, mas nunca esquecendo que numa "cultura da criança", o dever principal é educá-las. Privá-las deste direito é negligenciar o "outro", é, efectivamente, uma forma preversa de maus-tratos...

segunda-feira, 26 de março de 2007

O porquê da limitação...

A relação que cada um de nós tem com o "saber" varia, como tudo o que nos diz respeito, de pessoa para pessoa.

Eu quero saber muito e de tudo um pouco, pela curiosidade natural e pela vontade e desejo de que poucas coisas me passem ao lado. Acontece que nesta busca de saber mais coisas sobre as mesmas coisas não nos apercebemos da quantidade de outras coisas que não sabemos simplesmente por não as conhecemos, ou melhor, porque as desconhecemos...

É nestes momentos de consciência que me deparo com a terrivel frustação de tantas coisas que desconheço. Mais dificil se torna esta relação quando por impossibilidade encefálica e temporal sou obrigado a fazer escolhas, a afunilar um caminho que preferia largo e vasto...

O "saber" que ultrapassa o senso comum é dificil de apropriar, requer tempo, dedicação e obstinação... mais dificil se torna quando sabemos que há muita coisa que desconhecemos, um desconhecimento de não conhecer, não de não saber...

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Diz o publico...

INQUÉRITO CONCLUI QUE HÁ MENTALIDADE PERMISSIVA EM RELAÇÃO À CORRUPÇÃO!

e Socrates (2007) diz que a promoção de igualdade e da não discriminação é para levar a peito com sentido de responsabilidade, comprometendo-se a uma mudança estrural, depressa e com garantias.

e eu pergunto: COMO?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Sunitas, Xiitas, Sectarismos, Chauvinismos e Proselitismos - Dicionário prático para o conflito no Médio Oriente

Hoje em dia somos sistematicamente bombardeados com termos cujo o entendimento imediato, pelo menos para a maioria, nos escapa.

O conflito alargado no médio oriente arrastanda-se indefinidamente pelo tempo e com ele surgem noticias diárias de atentados e virgens prometidas a jovens sectários (do latim sectariu, entenda-se: membro fanático e intolerante de uma determinada seita ou facção religiosa).

Este sectarismo (de sectário) é alimentado, com especial incidência depois da pressão dos Estados Unidos contra o programa nuclear iraniano, pelo conflito histórico de duas facções/leituras do Islamismo, os sunitas e os xiitas. Ao que parece as primeiras divergências remontam ao sec. VII quando sunitas e xiitas entram em desacordo relativamente ao sucessor do profeta Maomé. Desde então as diferenças na forma de "viver" o islamismo têm-se acentuado. Os sunitas consideram os xiitas infiéis e hipócritas.

Acontece que sunitas e xiitas encontram-se espalhados pelos paises muçulmanos do Médio Oriente e herdam da história o peso do conflito entre o Império Otomano (sunita) e o Império Safávida (xiita). Toda esta história de conflito originou divisões no território e na distribuição de sunitas e xiitas pelo Médio Oriente.

Iraque, Bahrein e Irão são paises maioritariamente xiitas, ao contrário da Arábia Saudita, Egipto e Libano, onde esta comunidade representa uma pequena minoria submetida ao chauvinismo (entenda-se: patriotismo exarcebado) dos restantes arábes.

Outro facto histórico relevante para compreender a actualidade do mundo árabe é a revolução islâmica ocorrida em 1979, no Irão, considerada por muitos um ressurgimento xiita. Actualmente o Irão tem vindo a ganhar expressão e está nas bocas do mundo pelo seu, esperemos, hipotético poderio nuclear. Refugiando-se num falso receio que esta ascensão conduza a um proselitismo (entenda-se: converter um povo a novas doutrinas, seitas ou religiões), os paises maioritariamente sunitas incenticam esta crispação com os xiitas.

Contudo, é possivel fazer uma leitura mais realista, mais actual à luz dos factos e que Hassan al-Saffar, teólogo xiita, sintetiza da seguintes forma: "Existe uma campanha contra os xiitas. Por que razão se está a fomentar todo este sentimento anti-xiita numa altura em que os estados Unidos estão a tentar pressionar o Itão devido às suas ambições nucleares?".

Também Hassan Nasrallah, inimigo declarado do estado de Israel e lider do Hezbollah, é xiita.

Será que toda esta instabilidade se deve a influência externa? Qual o interesse dos Estados Unidos e Israel neste conflito entre muçulmanos? Porque ficam Arábia Saudita, Egipto e Jordânia (aliados e parceiros económicos dos Estados Unidos) impávidos perante tanta instabilidade e conflituosidade?

Já diz o povo: "Dividir para conquistar".

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Público novo ou novo público

Terminei de ler o Público de Domingo.

Esperei uma semana até me pronunciar sobre o novo grafismo, a nova organização e o novo formato do jornal "Público". Esperei, por diversas razões. A primeira prendia-se com o facto de desejar ter uma panorâmica do que será o Público ao longo da semana, de que forma o seu novo formato alteraria a organização dos conteudos, o painel de comentadores, a sua coerência e a sua "arrumação". Habituado ao cuidado e rigor dos conteudos publicados, a segunda razão prendia-se com o desejo de confirmar se ao novo formato se juntaria um novo conteudo, mais disperso, menos aprofundado. Finalmente, esperei para ler todos os comentadores - novos e antigos - e verificar de que forma enriquecem, ou não, o Público Novo.

Pessoalmente, gosto do Público novo. O jornal surge agora mais "arrumado", com o mesmo rigor e mais atraente ao olhos que lêem. O novo caderno P2 contribui significativamente para esta alteração, com reportagens actuais, sugestões diárias para a ocupação dos tempos livres (fora e dentro de casa) e mais importante, tudo muito bem arrumado num único caderno.

Os comentadores pouco alteram e as suas opiniões, naturalmente, mantém-se suas e dentro da mesma linha, alguns coerentes, outros confusos e outros ainda, do contra. Mantém-se os
"todolgos" (expressão de uma antigo professor meu), surgem alguns irónicos e melhora-se o editorial.

Porque sou um leitor assiduo e porque de facto gosto de ler o jornal de ponta a ponta, gosto deste Público novo e estou convicto que cativará, com toda a certeza, um novo publico.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Sitios onde estive...


Relembro agora sitios por onde passei...

Melgaço, no ano de 2002, terra de boa gente e acima de tudo de muito bom vinho, alvarinho pois claro...

Ali tão perto morreu uma criança vitima de maus tratos... Foi em Monção no nosso Portugal!

A conclusão da investigação realizada pelo Ministério Público indica que as Instituições de protecção de menores do Estado “funcionam de forma desarticulada e, em vários casos, desprovidas de técnicos competentes para o efeito”.

A mãe da menor continua em prisão preventiva, o pai encontra-se em liberdade...


E a menor, essa, está morta...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Descoberta

Descobri ontem, acidentalmente, nas minhas deambulações pela web a revista Sisifo.

Recomendo a sua leitura a todos cujo tema educação interessa, não só pelos conteudos como por quem os partilha. Desde a escolha do nome, cuja explicação é bastante interessante, até à riqueza dos contributos dos diversos intervenientes, a revista apresenta-se pertinente, actual e acima de tudo, rigorosa - algo que vai faltando por cá...

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Novo Ano

Vem ai um novo ano...

Para quem vive por aqui, entenda-se terras Lusas, a vida não está fácil nem se advinha fácil para os próximos tempos. Bem sei que existem males maiores e que de todas as dificuldades e catástrofes do Mundo, as dificuldades dos Portugueses não podem ser comparaveis, não estamos em guerra nem vimos as nossas gentes morrerem com fome...

Contudo, como Português que gosta do seu pais e que ama viver por cá, não posso deixar de me importonar, incomodar com a falta de senso institucional e com a escassa solidariedade enraizada na nossa jovem e ainda antiga sociedade... Como pode ser jovem e simultaneamente antiga? Bom, isso seria uma outra questão que nos levaria muito tempo e energia a discutir.

Mas voltando ao que de mais enraizado encontramos na nossa sociedade, temos um príncipio geral, tranfersal e, eu diria até Universal, o princípio de que o que realmente importa é o lucro, o luxo de uns sem se ter em conta as dificuldades do outro. Como se justifica que sejamos um pais não muito rico, mas ainda assim o 4º em que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é a maior? Como se compreende a canalhice que Governo e Camâra de Lisboa fizeram aos Lisboetas e Portugueses em geral, fazendo-nos pagar, dos nossos bolsos, uma idmenização por capricho ou será que não foi capricho e não havia outra coisa a fazer? Resta saber por e para quem? Como se pode compreender que a ministra da Educação não perceba que divide e segmenta o bem mais precisoso que temos como cidadãos, ter acesso a uma educação livre cujos seus agentes trabalham para as crianças e não um sistema educativa em que as crianças e jovens são somente algo necessário para que alguém se possa alimentar... Esqueceu-se do bem mais precioso para negociar com os professores, ouvi-los, e acima de tudo ouvir os alunos e deixá-los que, dentro do bom senso, sejam eles a escolher os caminhos e opções que podem e devem seguir.

Mas nem só aqui se vai lixando o mexelhão, os Bancos anunciam lucros inegualáveis em qualquer outro sector comercial e financeiro, ainda assim queixam-se de pagarem impostos altos, embora continuem abaixo do que eu ou qualquer outro português paga. Não flexibilizão o crédito habitação, não pensam em parcerias que possam ser lucrativas para jovens licenciados que pretendam iniciar um pequeno negócio, aplicam taxas de juro elevadissimas como se não pudessem fazer outra coisa... Hipócritas!

Os combustiveis também aumentam, quando a tendência tem sido a baixa dos valores do barril de petróleo. As petroliferas vivem numa especie de comunidade secreta em que os preços são todos iguais, sem que a liberalização dos combustiveis tenha efectivamente chegado ao nosso pais. Quando se deu o aumento vertiginoso dos barris também as petroliferas foram celeres a aumentar o valor dos combustiveis, agora que se mantém algum tempo estável e com relativas baixas a tendência foi baixa um pouco para agora voltar a subir...

Mas isto são só alguns exemplos de alguém que nada percebe, que nem totolgo é como os senhores que vemos na televisão discutir tudo e mais alguma coisa, a verdade é que ninguém faz nada e eu como cidadão só posso, infelizmemente, não ficar calado...

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

De VOLTA???

Estive tanto tempo ausente do Bolg, das palavras e das leituras que não são só de quem as escreve, mas também, e quase sempre, de quem as lê, que o reencontro com as teclas e com a escrita de coisas várias é-me dificil e intermitente.

Difícil, porque me sinto enferrojado e perro, nas ideias, nos dedos e nos conteudos.

Intermitente, porque embora queira ficar e conseguir manter-me por aqui continuamente e sem escapadela, é-me impossivel afirmá-lo com certeza, por mim, pelo trabalho e por me conhecer...

Bom Ano a todos,
t.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Casa...

Estou condenado deste o passado sabado a permanecer em casa...
Tenho como limite de espaço nos próximos 10 dias as paredes da minha simpática casa.
Sou neste momento um ser humano contagioso para a maioria dos seres humanos e potencialmente perigoso para crianças e fetos dentro de grávidas!
Sou neste momento um adulto com doença de criança... pontos vários pelo corpo-qual camaleão- e com uma verdadeira oportunidade de retemperar energias... haja disponibilidade!

Enfim... venha o ar, venha a vida desenfreada sempre a correr, mas acabe-se o tédio de ver os dias passarem embrulhado no sofá a ver filmes nas pausas dos cochilos sistemáticos...

domingo, 18 de junho de 2006

As neuras...

Há dias em que o simples abrir das pestanas para mais um inicio tardio de dia significa um estado tal de amargura contagiante a tudo o que nos rodeia... Deixa de ser a nossa amargura, a nossa rabugisse e passa a ser parte integrante de tudo o que nos faz sentir...

Preservo-me neste dias que ultimamente tanto me tem atormentado, guardo para mim as suposições e as amarguras e reservo-me a encaixotar algures no baú da mente o que não interessa!

Bem sei que as neuras são comuns a todos nós, uns porque as hormonas existem e inevitavelmente modificam e controlam tudo... Outros porque são neuróticos e o simples bater de uma peça no enredo criado significa todo um novo ciclo de ruminanço interminavel... Outros ainda, porque a companhia excessiva da cama lhe devolve um humor sem graça, perdido na felicidade dos outros que não é a nossa... Depois temos os que são naturalmente forças da natureza na arte de azedar... ultrapassam-me este ultimos!


Enfim... Um dia de cada vez dizem... que seja!
Venha o próximo

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Quando Lisboa é Lisboa...

No mês de Junho Lisboa volta às suas raizes, à sua identidade popular e perde o snobismo de urbe intelectualoide que insiste em tornar a cidade num local de nichos e tribos sociais... Talvez a excepção esteja na salada de frutas que o Bairro Alto nos vai oferecendo, reunindo todo o tipo de pessoas em todos os mais diversos lugares comuns...

Mas voltando a Junho, quando Lisboa é Lisboa e volta à raiz de dançar ao som dos artistas populares que não poucas vezes critico pela pobreza artistica e pelo reflexo pobre que dá da musica e cultura que se vive neste pais...

Junho trás os cheiros! Trás a sardinha assada e as febras na brasa... as ruas dos nossos bairros populares são invadidas pelos odores intensos das brasas!
Junho trás as cores! Ruas compridas e estreitas são enfeitadas com cores e luzes várias, enfeitos que preenchem o imaginário popular alfacinha!
Junho trás as gentes! As ruas são invadidas pela vontade comum de viver a folia, a alegria de andar sem parar e ver mundo e meio em sintonia onde só cabe meio mundo!
Junho trás a musica que se diz portuguesa! Os bailaricos ao som de artistas populares multiplicam-se, os criticos como eu deixam-se envolver e cantam como nunca os exitos que tanto condenam!
Junho trás as marchas! Se existe o carnaval, Lisboa vive para as marchas, para a disputa baIrrista de se ganhar o prémio de um ano de trabalho!

Enfim... em Junho Lisboa trás consigo o cheiro popular que tanta mistica lhe dá, Lisboa é fado, é gente na rua, é sardinha assada, é as marchas populares, é uma mistura de cor e vida que peca por ser temporária...
Em breve esta harmonia e este espirio alfacinha perder-se-ão, mas fica a certeza, como todos os anos fica, de que para o ano há mais...

domingo, 11 de junho de 2006

Há momentos assim...


Durante um largo periodo estive a trabalhar à noite, a servir bebidas e petiscos vários num bar do bairro alto... A experiência foi optima, pelas pessoas com quem trabalhei e pelas pessoas que tive oportunidade de conhecer...

Contudo, a verdade é que enquanto trabalhava nesse mesmo bar a servir bebidas e petiscos vários às mais diversas pessoas, perdia as jantaradas em casa dos amigos, as noitadas no bairro, as visitas culturais a bailados, concertos ou instalações (como odeio este conceito...). Perdia simplesmente pela impossibilidade de estar presente!

Faz pouco tempo que deixei de estar nesse mesmo bar a servir bebidas e petiscos vários e as jantaradas regressaram ao ritmo ideal, as conversas continuam onde ficaram da ultima vez, as pessoas mantém-se as mesmas e as distâncias reduzidas...

Ontem foi dia de jantarada. Riso, canto, diversão, poesia, vodka russo, conversas que expõem, pessoas que nos seduzem na arte de serem...

Foi bom sentir toda esta plenitude e voltar ao meu Gin... doce e eloquente quanto baste!

Cereja no topo do bolo, recebi a minha prende de aniversário, um livro de Boris Vian (escritor de eleição), um livro que não sabia exisitir... Pensava já ter lido tudo dele, mas afinal como alguém diz: "Nunca ninguém lê tudo de alguém..."
Parece que é verdade...

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Crianças Invisíveis


Na passada sexta feira, tive oportunidade de assistir ao visionamento de imprensa do filme Crianças Invisiveis, antes de partir novamente com destino a Itália!

O filme conta de forma inequivoca histórias de crianças que estão em todo o lado, mas que muitas vezes os nossos olhos se esquecem de ver... Sob o olhar de 7 maravilhosos realizadores, são nos dados a ver testemunhos de uma realidade que nos passa diariamente ao lado... A forma como Emir Kusturica, John Woo, Spike Lee, Ridley Scott, Mehdi Charef, Katia Lund e Stefano Veneruso nos contam as histórias destas crianças fazem-nos entrar em momentos arrepiantes de profunda comução...

Histórias reais de vidas reais com personagens que vivem a fantasia da realidade de outros, é um filme verdadeiramente belo, pela inocência e despudor com que nos faz chegar o relato de vidas que muitas vezes ignoramos... talvez por ser mais fácil que continuem como sempre estiveram... INVISÍVEIS...

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Destinos


Depois de relembrar por onde passei...
Deixo-vos em Florença, perto da ponte Vechia, a olhar o horizonte onde o sol se esconde...

domingo, 7 de maio de 2006

segunda-feira, 1 de maio de 2006

História de uma(s) vida(s)...


Na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois o meu pai morreu. hoje,
na hora de põr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva, cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós for vivo, seremos
sempre cinco.


José Luis Peixoto, A Criança em Ruinas

Uma nova etapa

Começou hoje uma nova etapa no percurso que me cabe a mim viver... As circunstacias que acabam por ser consequência do que fazemos antes, durante e depois delas, trouxeram-me para um inicio que me encanta, motiva e apaixona...

Não lhe vejo o fim e espero que quando chegar, que o seja porque há simplemente, uma mudança de estrada...

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Em Itália


Como sabem, estive em terras transalpinas, onde o cheiro a pizza em cada esquina se mistura com a surpresa de um monumento a descobrir... É de facto lindo e puro o ar que se respira enquanto se viaja de cidade em cidade, na procura de novas imagens e logo depois novos sentires que nos preenchem de forma plena.
Desta vez a escolha recaiu sobre a Liguria e a Toscana.
A Toscana é de um equilibrio arrepiante, da simplicidade dos campos à imponência de Pisa, Siena ou Florença.
Como alguém disse uma vez, "Quando a Natureza criou o mundo, reuniu grande fatia do melhor em Itália".
Mais destinos se seguirão, hoje deixo-vos em Siena...


Siena, 2006, t.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Coisas que vi...

Já escrevo de novo no teclado do meu portatel, que tão bem conheço e no qual por defeito não faltam acentos nem existem teclas fora de lugar...

Vi coisas que os olhos vêem, mas as palavras não descrevem... fotografei e as imagens gravadas falam por si...






Cinqueterra, 20 de Abril 2006
t.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Em Itàlia

Bem tento escrever como mandam as leis neste teclado, mas é impossivel, nao hà til nem tao pouco acentos agudos ou graves, enfim, o que esta virado para a direita de quem le... e o chapeu? Nada, nem chapeu, nem til, nem acento... Fica o registo de Itàlia.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Gritos

Hoje escrevo porque me apetece gritar... porque acumulo sem parar o que me entope e quero falar...
Porque faz parte da forma como sinto as coisas, vivo e elouqueço saudavelmente...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Ausências



Às vezes e não poucas, somos obrigados a deixar umas coisas para podermos fazer outras. É o trabalho que acumula e nos prende às leituras, aos escritos técnicos; é o tempo que não para e que com ele trás os prazos, as datas que se têm de comprir...
Às vezes e não poucas, somos sugados pela vida, temos de lhe dar alento, corremos, sorrimos, rimos, gargalhamos, beijamos, tocamos, cheiramos, sentimos...
Às vezes e não poucos, deixamos o nosso cantinho e abrimos a janela do mundo lá fora...

domingo, 15 de janeiro de 2006

Ouvi na rádio

Estava frio e ameaçava chover nos instantes seguintes.
Eu estava numa das interminaveis filas de fim de dia e acabara de iniciar-se as noticias radiofónicas de umas das estações que habitualmente oiço na ausência de um cd.
Na rádio, dizia-se que nos ultimos anos os cientistas descobriram mais de 160 planetas fora do nosso sistemas solar, mas que nenhum deles se assemelha à nossa (será?) Terra. Neste preciso momento, enquanto a rádio através do seu locotor dizia tamanho número fixo o olhar no que me rodeava, nos carros, nas luzes, nas estradas, nas pessoas... e pensei: que particularidade teremos nós para em mais nenhum lugar se ter desenvolvido tão complexa rede de ligações sociais, tão forte ligação com aquilo a que convencionámos chamar história, a hiatória que diariamente escrevemos, feita de guerras, de fome e de fartura, de extrema riqueza ou do outro lado extrema de pobreza.
Num daqueles momentos em que nos sentimos verdadeiramente a duvidar.
Começou a chover...
Foi bom...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Frases soltas II...

"Quando tudo depende do aspecto exterior, perdemo-nos no reflexo dos espelhos que comtemplamos e jamais nos encontramos dentro de nós."

Richard Bach

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Digam lá...



Quantos de nós não se esquecem de olhar em e para a frente?

Insónias...

Os dias são longos, porque se perpetuam pela noite dentro...
As manhãs começam cedo...
O corpo não se recente, apenas reclama que devia estar onde os sonhos ganham forma...
Eu escrevo, leio, estudo a ciência que me orienta, à espera que os olhos se fechem e dêem lugar ao que há-de vir...

domingo, 18 de dezembro de 2005

Partilha...

Para todos os que choram, os que exclamam, os que questionam, os que suspiram, os que sentem frio... para todos os que desacreditam...
Para todos os que sorriem, os que proclamam, os que afirmam, os que igualmente suspiram, os que sentem calor... para todos os que não duvidam...
No espaço entre dois momentos, existe dia, noite, tarde, calor, frio, vento, chuva... existe espaço para tudo mudar, para tudo se reinventar...
Oiçam, ela fala verdade...

Frases soltas...

"Eu sou aquilo que perdi..."
Fernando Pessoa

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Como prometido

Falando de musica... Aqui deixo Rachmaninov... Concerto n.º 3, 1.º Andamento!
Alguns conhecem de um celebre filme, outros porque é de longe das mais dificeis e espantosas obras de piano compostas...

Para ouvir até ao fim...

Conversas de bar...

Hoje foi um dia preenchido como todos, raio de correria...
Mas tive tempo para ir a um bar simpático com um amigo que já não via desde o Verão e passou-se uma noite simpática... Soube bem!
Depois de beber uma Amendoa Amarga, saborosa... conversa aqui, conversa ali, dizem-me:

"São nos momentos das grandes catastrofes (leia-se a morte de uma filha) que perspectivamos a vida de um prismas totalmente diferente... o duplex que queriamos ter, o carro que queriamos comprar, as filas de transito, os problemas de trabalho... deixam de ser... deixas de querer... deixam de importar... porque tudo o que queres é ter a TUA filha de novo a teu lado..."

Mais não se disse... e eu fiquei a pensar!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Uma questão de disciplina!

E quando temos de trabalhar e tudo o que nos apetece é arranjar razões para o não fazer?
Abrimos o jornal, folheamos páginas sem ler e sem que o conteudo nos interesse por ai além...
Colocamos um Cd para relaxar ou embalar o trabalho, mas nada...
Ligamos a Tv e fazemos um zapping desesperado à procura de alguma coisa... nada!
Pegamos no livro e tudo o que nos apetece é não ler!
Deambulamos pela a casa à espera de um milagre. Do milagre nada e o trabalho por fazer...
Pegamos no telemovel, ligamos, falamos, desligamos e... nada!

Até a página do computador não deixa de ficar em branco...

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Vamos a exame?

Nas deambulações que faço pelo jornal, lá vou encontrando matéria sobre o que escrever... No Publico de sábado li dois artigos que explicitamente falam contra a medida do Ministério da Educação em acabar com os exames nacionais de Português no 12º Ano. Aliás o Ministério decidiu reduzir drasticamente o número de exames nacionais!

Os artigos de João Cândido da Silva e de Aldina Silveira Lobo, são contra a redução do número dos mesmos.
Também a Fenprof veio a terreno dizer que a medida do Ministério não é a melhor...

Confesso que a reacção em torno desta decisão causou-me de algum modo surpresa, porque de facto os exames são actualmente uma forma de segregar milhares de estudantes.
Mais do que isso, o que me custou mais ler, foi a utilização do argumento que tal medida iria diminuir a exigência para com os alunos!

Eu pergunto: Será a existência de exames Nacionais que nos deve orientar para uma educação de exigência e excelência dos nossos alunos, ou ela deve ser acima de tudo uma bandeira do nosso ensino independentemente da forma como se mede?

Nos referidos artigos vai-se mesmo mais longe afirmando que com esta medida o Ministério não estará a cuidar devidamente do Português e como tal o número de iletrados e de jovens a falar e escrever mal no nosso país vai aumentar.

Parece-me a mim que se parte desde logo de uma perspectiva desajustada. Os exames estão longe de ser o motivo pelo qual devemos ser exigentes, os exames são uma tentativa fracassada de uniformizar processos e em limite facilitar a tarefa dos professores que se podem encostar sistematicamente sobre as bandeiras: "tenho um programa a cumprir" ou "tenho de preparar os alunos para exame".

No fundo o que acontecia é que os professores eram orientados para prepararem os seus alunos para uma prova que traduz o sucesso ou insucesso dos memos. Agora estão orientados para coisa nenhuma. Será que é isso que os assusta?

Com esta medida é necessário esperar para perceber quais as implicações e o que pretende a Sra. Ministra com tamanha revolução. Parece-me a mim que o caminho é este, mas ainda é necessário que se criem programas curriculares adequados a cada contexto, que os alunos com menos meios possam de alguma forma planear o seu percurso e com isso partir em igualdade de circunstâncias com os alunos a quem não falta nada...

A existência de uma espécie de Portfolio, onde o aluno apresenta as disciplinas que escolheu para o seu currículo em função de eventuais estudos ou curso técnicos que queira seguir.
Talvez a selecção nas Universidade e Institutos tivesse que ser mais caso a caso... São caminhos!

Medidas assim, ajustariam a resposta às necessidades do nosso país, impedindo que os jovens chegassem ao secundário com a convicção que estudar é difícil demais. TEMOS DE SABER ENVOLVER OS NOSSOS ALUNOS NA CONSTRUÇÃO DAS SUAS OPÇÕES!

Naturalmente que assim, os professores teriam um trabalho muito mais exigente e teriam de ser eles próprios a fazer os seus currículos, ai os manuais já não seriam suficientes (Se calhar é isso que temem...).
Os alunos são o motivo pelo qual existe escola, se não trabalharmos para melhorar as suas condições, eles vão continuar a deixar de ir.

A decisão de reduzir os exames não me parece desajustada, mas falta agora o resto, trabalhar no sentido de igualar as oportunidade para todos... os exames não trouxeram nunca uniformização, só mesmo naquilo que medem, porque quem mediam sempre estiveram distantes nas realidades e nas vontades...

A exigência no ensino não deve ser consequência de um produto que pretende medir o que os alunos decoraram para aquela dia em especial, mas sim de uma cultura de raiz que pretende produzir profissionais competente e capazes nas mais diversas áreas do saber/fazer!

Para reflexão:
Será que o fim dos exames nacionais no 12º Ano é assim tão má ideia?
Quais as consequências positivas e negativas que esta medida nos pode trazer?
Sendo necessário um critério de selecção de alunos, que critério sugerir?
Deveriam as Universidades/Institutos/Escolas Técnicas ser responsáveis pela selecção dos alunos, ponderando os diversos factores incluído o currículo do candidato?
Será que são os exames o que nos deve guiar para uma politica de exigência no ensino

Li...

Talvez seja do tempo, talvez seja da crise geral, mas as manifestações que de alguma forma referem saudade daquele colo, ou daquele abraço, ou daquele beijo, ou daquela compreensão lêem-se como fruta da época...

Disseram-me...

"para não cair na leviendade da blogosfera e afins..."

Conversei...

Alguém: estava agora a pensar, é estranho termos estado na mesma turma tantos anos e conhecermo-nos tão mal...

t.: nunca fomos do mesmo mundo...

Alguém: pois não

t.: mas o tempo ajuda a diminuir distâncias e a reaproximar pessoas que à partida nada tinham em comum... faz parte!!!

Será que faz?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

O grito do Ipiranga

A maioria da nação anda preocupada com as eleições, com o que os candidatos dizem e acima de tudo com as falhas que cometem para que se possa falar delas e assim fazer politiquices...
Candidatos à parte quem acaba por pagar a factura de se falar em trivialidade e não de politica, de se passar ao lado de proposta concretas e de sermos tão condescendentes na exigência e seriedade que solicitamos aos nossos politicos que nos mentem porque nós não sabemos nada e eles tudo sabem...
Mais uma vez e sempre vai passar-se ao lado do que realmente importa...

Vejo...

... a procura que me fez criar este sitio...

Diz tudo...


Enquanto se olha eu vejo o que mais ninguém vê...

domingo, 11 de dezembro de 2005

A verdade de dizer mal...

Tenho por hábito ao fim de semana, por ter algumas horas mais desafugadas da azafama que são os meus dias chamados "uteis", comprar o mesmo jornal generalista à sexta, sabado e domingo.
Nesse mesmo jornal, encontro sempre artigos de opinião de grande conteudo e riqueza, ou não fossem eles de opinião... Ainda assim, ultimamente tem existido um discurso tão dificil de suportar que o bem fadado jornal já anda por ai sem que lhe pegue...
A reflexão critica, deu lugar simplesmente à critica e por vezes acontece mesmo encontrar os chamados "todolgos" (expressão de um professor meu na Universidade) a falar daquilo que desconhecem, apontado contras a certas medidas, quando são esses contras os prós pelas quais as medidas devem ser implementadas.
Não basta dizer que está mal porque achamos que sim, há que ponderar melhor o que se diz e neste caso o que se escreve... É um facto que o pais não vai bem, mas não é só dizendo o que está mal que se segue no sentido que devemos andar.
Claro que não querendo cair no erro de ser um "todolgo", quando refiro que não é suficiente apontar o dedo sem se saber do que se fala refiro-me à educação, onde vezes sem conta se dizem autenticas barbaridades, resultado do profundo desconhecimento das matérias em discussão.
Srs e Sras "todolgos/as" se querem dar lugar ao vosso exercício de "todologia" que o façam com a campanha eleitoral, ai estão á vontade para falar do que não sabem...

Foto postal...


É verdade que em mil cliques, talvez dois sejam exactamente aquelas que queriamos que fossem, mas mais dificil é quando não queremos coisa alguma e nos sai um autentico postal...
Esta foi na Cervinia... Eu gosto!

Ora oiçam lá...

Finalmente consegui partilhar musica... oiçam...
Susana Baca!

sábado, 10 de dezembro de 2005

O que nos dizem...

Escrever...
Viver a fantasia das palavras e ler o que nos faz sentido ler…
Se escrever é um processo de criação que nos faz querer dizer coisas e diferentes coisas de cada vez, é mais que tudo um exercício de saber escutar o que sussurram as palavras...

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Depois da missão, A GUERRA!

Censurado...

Estive ausente do pais em Missão Diplomática


Este meu primeiro post depois de uma longa ausência é para informar os imensos leitores deste espaço (ou não!) que estive em missão diplomática por terras transalpinas. Acontece que lá, em Itália, existe um enorme monumento que requer atenção e cuidados muito especificos que sou eu e mais algumas pessoas sabem prestar.
Desloquei-me então até á cidade de Torino mais especificamente, passando antes por pequenas cidades como Saint-Vincent, Aosta e muito passageiramente Milão.
Uma vez em Saint-Vincent, a primeira das paragens com direito a dormida, comecei de imediato a minha missão, dura e dificil, pois trata-se de uma peça de fino e delicado recorte, mas de uma tremenda robustez interior.
A complexidade da tarefa fez-me ficar por terras de Sr. Berlusconi (amado por todos os Italianos como o Cavaco é amado pelos portugueses com a cabeça no sitio) durante uma semana e obrigou-me a trabalhar em Turim, onde os meios de que dispunha eram mais sofisticados. (Imaginem que lá os picas trabalham ao sabado... mas isto são contas de outro rosário)
Uma vez em Turim, continuei a minha tarefa cuidadosamente, mas os dias foram insuficientes e não consegui concluir a missão de forma a regressar completamente realizado...
Quando cheguei novamente à terra deste grande filósofo que dá pelo nome se Socrates quem veio a precisar de restauro fui eu... tal não foi o choque!

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Pensamento do dia...

A informática fez um acordo com Deus:

Deus não arranja computadores e a Informática não faz milagres.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Departues

Ver alguém partir acaba por ser sempre uma experiencia que nos deixa um misto de saudade e vazio... Hoje foi um amigo...

Até breve!

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Imaturidade Feminina

Quantas e quantas vezes somos confrontados com a acusação de sermos imaturos por não sabermos o que queremos ou então porque sabemos, mas não estamos é a ver bem as coisas. Existe uma espécie de conformismo social em que o papel de imaturidade cabe ao sexo masculino. Sinceramente, se alguma vez foi esse o cenário vigente na nossa sociedade, hoje em dia as mulheres – como em quase tudo – estão também a assumir protagonismo nessa matéria.

Os homens sempre foram acusados pela forte presença que a figura maternal tem nas nossas vidas, de não cortarmos o cordão umbilical, de vivermos sempre sob as saias das mães e de dependermos delas em doses massivas. A verdade é que hoje em dia o sexo feminino está cada vez mais complexo nas teias que cria em seu redor. São um conjunto de características que se misturam, trazendo à superfície uma imensa incoerência entre o dizer e o fazer, entre o que se quer e o que faz por ter. Os pólos que supostamente não se deveria tocar, no caso das nossas queridas mulheres sobrepõem-se.

A grande característica do sexo masculino e a mais incompreendida é a sua simplicidade de pensamento. Não fomos nós que inventamos a cor salmão (o que raio é isso), não somos nós que dizemos não quando queremos dizer sim ou vice-versa, não fomos nós que criámos os jogos do toca e foge e sem dúvida que não fomos nós os criadores da actual promiscuidade em as relações estão mergulhadas.

Uma grande máxima diz que comportamento gera comportamento. Naturalmente que o sexo masculino é uma vitima das circunstâncias que o rodeiam, se as mulheres são incoerentes e inconstantes, é difícil não fraquejar aqui e ali. E se nós fraquejamos aqui e ali, as mulheres não têm aquele pilar que tanto ambicionam ter a seu lado. Não existe perfeição, só na nossa cabeça, nos nossos sonhos.
É o chamado ciclo de pescadinha de rabo na boca...

No fundo, é tudo uma questão de perspectiva, não sei se a imaturidade é feminina ou masculina... talvez seja mais... humana. ;)

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Conversas de Carro 2

Desta vez a viajem foi por terras algarvias. Infelizmente deparei-me com a triste realidade de ainda hoje existirem em pleno céu aberto fossas que transformam qualquer ambiente por perto simplesmente intransitável. Pois bem, enquanto conduzia a caminho de uma praia pouco invadida pelos turistas estrangeiros e portugueses que insistem em trazer a casa às costas quando é suficiente apenas uma toalha, um crema e vá uma sacola para uma ou duas sandes de courato e presunto. De volta ao caminho... Em pleno território "fossal" um jovem Eng. refere que o cheiro só nos era desagradável porque nos ensinaram assim culturalmente. Ou seja, se nos tivessem ensinado que o cheiro a merda é agradável, hoje provavelmente existiriam perfumes dessa respectiva matéria. Já Bruner dizia que existe uma dimensão fundamental para a compreensão do homem, a dimensão cultural e que nem sempre temos o cuidado de incluir esse prisma nas análises que fazemos dos nossos comportamentos. Limitamos o homem a uma dimensão biológica e psíquica. A verdade é que se hoje algumas das "normas" sociais nos são passadas assim é porque fizeram sentido em determinada altura e porque alguém as sentiu dessa forma. Se assim é será que alguma vez os maus odores poderiam ser considerados bons? Alguém se imagina a sair de casa para uma daquelas noites em que queremos estar particularmente bonitos e cheirosos e chegada a altura de escolher o perfume optar por aquele que nos faz lembrar uma ida à nossa casa de banho?

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Viagens Urbanas...

As rotinas têm aquela invariável e aborrecida característica de se repetirem sistematicamente ao longo de dias que parecem ter parcelas de dia sempre iguais aos anteriores. Associados às rotinas aparecem pequenos prazeres, que chamamos de rituais. São as rotinas que cumprimos com satisfação todos os dias, são aquelas que implicam um sorriso interior, são aquelas sem as quais o dia poderá não correr tão bem como seria esperado.
Certo ser urbano, típico no seu ar matinal pesado, rosto fechado, olhos cerrados numa conjugação de sono e birra com o despertador que sistematicamente o lembrava - tens que te levantar, tens que te levantar... - rotineiramente viaja pela cidade a caminho de um destino que é dele e possivelmente comum ao de outro alguém. Encostado com a cabeça a balançar no vidro do autocarro, enquanto vê arvores, carros, prédios a passar, enquanto vê arvores, carros, prédios, os dias que já passaram.
A diferença dos dias reside nas caras que se cruzam, nos sorrisos que se negam, eventualmente no lugar que ocupa. Mas sempre a mesma vontade, o mesmo desejo lá dentro, no seu interior a perguntar – E se a minha vida fosse a dele, ou a dela, ou daquele, ou deste?
Que pedaço de dia seria este que se cruza comigo se eu visse com os olhos de quem olho agora?
Flashes de sonho, com tempero de realidade invadem os olhos, os ouvidos, o paladar, o toque e a rotina vai mudando ao mesmo tempo que a sua vida ganha outros contornos, outras caras, outros tempos, outros espaços... E a expressão muda, a satisfação de diariamente poder fazer tantas combinações como as vidas que se cruzam no ser trajecto devolvem-lhe o sorriso, tiram-lhe o ar pesado, abrem os olhos e fazem a birra passar, com a certeza que amanhã, haverá mais vidas para sonhar...

Jazz na Gulbenkian

Estão de volta à Gulbenkian os concertos de Jazz depois de um ano de interrupção. São doze os concertos agendados, que oferecem uma grande variedade de sonoridades. Hoje tive o prazer de assistir ao concerto dos Invisible Correspondance, uma formação composta por elementos de outros dois conjuntos, os Sound of Choice (Dinamarca) e os IXI String Quartet (França). Como o nome indica, nem sempre é facil perceber a ligação entre a formação, somos confrontados com uma linha muito ligeira que separa a musicalidade do caos. Confesso que é um estilo demasiado experimental para o meu ouvido, com muita eletrónica à mistura, mas para quem tem um ouvido aberto a novas sonoridades, recomendo.
Mais importante é que numa altura em que se cortam fundos para tudo, o Jazz está de volta à Gulbenkian...
Que a aposta continue.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Conversas de Carro



Enquanto viajava a bordo de um daqueles jipes de cidade pelas belas e imensas serras de São Pedro do Sul, a olhar pela janela concentrado na paisagem repleta de pinheiros e outras árvores ainda por arder neste nosso imenso universo verde, sou surpreendido por amiga que diz (já não me recordo em que contexto): "quando era pequena pensava em desatarraxar os pés!". Ideia peregrina que ficou logo a tilintar na minha cabeça. E se fosse possível desatarraxar os pés? E se para alem dos pés fosse possível desatarraxar qualquer parte do nosso corpo, braços, mãos, pés, pernas, cabeça... O corpo seria como uma outra qualquer peça de vestuário, escolhíamos a cabeça, os pés, as mãos que melhor se adequassem às nossas necessidades e circunstâncias.Mais fantástico seria se cada uma dessas partes já viesse programada com saber, por exemplo, uns pés de Cristiano Ronaldo, umas mãos de Miró ou Bica, uma cabeça de Bill Gates.Não sei se teria piada emprestar os meus pés a alguém ou até mesmo andar pelas ruas com outros pés senão os meus... Gosto muito dos meus pés!
Além disso dada a generalidade da estupidez das pessoas, acho que o acesso ao dons de outros seria demasiado para que o seu uso fosse apropriado, a tendência seria naturalmente olhar para a única parte que nunca perdemos de vista no nosso corpo... o umbigo!
Foto de Floris Andrea